O Google apresentou na última semana o Project Genie, um novo experimento de inteligência artificial generativa. A ferramenta cria ambientes tridimensionais interativos totalmente gerados por IA, que podem ser explorados por até um minuto.
Para usar o recurso, é necessário assinar o plano Google AI Ultra, que custa US$ 250 por mês. Depois disso, basta escrever um comando em texto para que o sistema crie um mundo com aparência de jogo.
Mesmo assim, além do custo alto, a tecnologia ainda tem várias limitações quando o assunto é desenvolvimento de games. O Project Genie roda a 24 FPS, em um ritmo parecido com o de uma apresentação de slides.
A interação com o cenário é limitada, quase não há elementos com os quais o usuário possa mexer, e os ambientes criados não contam com design de fases ou objetivos claros.
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Além disso, cada mundo gerado dura apenas um minuto antes de desaparecer. Mesmo com essas restrições, o anúncio causou reação imediata no mercado financeiro.
Ações de empresas do setor de jogos, como Take-Two, Roblox e Unity, registraram queda, em um movimento que indicou receio de parte dos investidores. A leitura inicial foi de que a tecnologia poderia marcar uma nova fase na criação de games.
Para o analista Joost van Dreunen, autor da newsletter SuperJoost Playlist e cofundador da SuperData Research — empresa de análise do mercado de games vendida posteriormente para a Nielsen —, essa interpretação é precipitada.
Segundo ele, modelos como o Genie mostram avanço na geração de conteúdo por inteligência artificial, mas não substituem a visão criativa, a construção narrativa e outros elementos que tornam um jogo marcante.
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Van Dreunen afirmou que criar mundos envolventes é mais difícil do que parece. Ele comparou a situação com a ideia de que uma IA não consegue simplesmente gerar, a partir de um comando, o próximo grande romance da literatura.
Na avaliação do especialista, mesmo com a evolução da tecnologia e os investimentos de empresas como Google e OpenAI, o público tende a valorizar o trabalho de artistas e criadores experientes.
Outro ponto citado é a resistência atual de jogadores e desenvolvedores ao uso de IA generativa em jogos. Van Dreunen mencionou o caso de InZoi e também lembrou a reação negativa enfrentada pela Larian Studios quando cogitou utilizar IA generativa para criar artes conceituais.
Esses episódios mostram que parte da comunidade ainda vê esse tipo de tecnologia com desconfiança. Para ele, modelos de mundo baseados em IA, como o Project Genie, só terão espaço no desenvolvimento de jogos se conseguirem criar algo que realmente desperte o interesse do público.
Ainda assim, isso dependeria da participação direta de profissionais criativos, usando a tecnologia como ferramenta de apoio. Van Dreunen resumiu a situação dizendo que a fase inicial de novidades vai passar.
Quando isso acontecer, o destaque não será de quem tiver a ferramenta de IA mais sofisticada, mas de quem conseguir usar esses recursos para criar jogos que realmente valham a pena ser jogados.








