Preço da memória dispara e deve encarecer smartphones até 2027

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Os custos de produção de smartphones devem subir de forma expressiva a partir de 2026 por causa da crise no mercado de memória. Estimativas apontam que a lista de componentes de um celular, conhecida como Bill of Materials, pode ter alta de cerca de 25% no próximo ano.

O principal motivo é o aumento forte nos preços da memória DRAM, o que já leva algumas fabricantes a avaliarem o retorno de aparelhos básicos com apenas 4 GB de RAM para tentar reduzir gastos.

Além da DRAM, o armazenamento também ficou mais caro. Dados de empresas de pesquisa indicam que o preço da memória LPDDR usada em celulares subiu mais de 70%, enquanto o valor da NAND Flash dobrou.

Com a chegada de novos processadores de 2 nanômetros prevista para ainda este ano, aparelhos que combinarem esses chips com memórias e armazenamentos mais caros tendem a chegar ao mercado com preços bem mais altos para o consumidor.

Uma análise separada mostra que a DRAM passou a representar mais de 20% do custo total de fabricação de um smartphone. Antes, essa fatia ficava entre 10% e 15%.

A falta de memória afeta todo o setor. Um dos co-CEOs da Samsung afirmou que nenhuma empresa consegue ficar fora dessa situação.

Até mesmo a Apple, uma das maiores companhias do mundo, teria enviado executivos para longas estadias no exterior com o objetivo de fechar acordos com fabricantes de memória como Samsung e SK hynix, o que mostra o nível de pressão sobre o mercado.

Segundo a consultoria Omdia, com informações divulgadas pelo perfil Ice Universe, as fabricantes de celulares precisam arcar com valores bem mais altos para garantir fornecimento de DRAM e NAND Flash, pagando adicionais de cerca de 70% e 100%, respectivamente.

Isso aumenta o custo final dos aparelhos e reduz a margem de manobra das empresas. Outro fator que pesa no orçamento é o preço dos processadores avançados.

Há expectativa de que chips como o Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro ultrapassem a marca de 300 dólares por unidade, enquanto a geração anterior já teria valor estimado em 280 dólares.

Diante desse cenário, as fabricantes ficam entre reduzir especificações dos aparelhos ou repassar os aumentos ao consumidor, com chance de queda nas vendas. Nem todas as empresas sentem os efeitos da mesma forma.

A NVIDIA afirmou que conseguiu se proteger ao pagar antecipadamente por grandes volumes de estoque para sustentar a demanda ligada à inteligência artificial. Esse tipo de estratégia, porém, pode ter ajudado a reduzir ainda mais a oferta disponível no mercado.

A previsão é que a falta de memória continue até o quarto trimestre de 2027, mantendo a pressão sobre preços e produção de smartphones por um longo período.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.