A crise global de memória não está atingindo apenas smartphones e computadores. O problema também já afeta o setor de roteadores e outros equipamentos de rede.
Dados recentes mostram que fabricantes que produzem em grande escala, mas não contam com uma cadeia de fornecimento segura ou forte poder de negociação, estão sendo os mais prejudicados.
Com a alta na procura por memória para servidores de inteligência artificial, os preços de DRAM e NAND flash subiram mais de 600%.
Esse aumento pressiona o custo de vários produtos eletrônicos. Para quem pensa em melhorar a internet de casa ou do trabalho no Brasil, o cenário indica que os preços podem continuar instáveis.
Segundo levantamento da Counterpoint Research, os valores da memória usada em smartphones triplicaram nos últimos meses.
Já a DRAM presente em produtos de banda larga, como roteadores e set-top boxes, ficou quase sete vezes mais cara no mesmo período. Uma das possíveis explicações está no volume de produção.
Smartphones são fabricados em quantidades muito maiores do que roteadores, o que dá às grandes marcas mais força para negociar contratos de fornecimento. Empresas menores ou com cadeias de suprimento menos estruturadas acabam pagando mais caro pelos componentes.
O relatório aponta que, nos últimos nove meses, enquanto a memória para celulares subiu três vezes, os produtos de banda larga baseados em memória chamada de "consumer memory" tiveram aumento próximo de sete vezes. Entre esses itens estão roteadores, gateways e aparelhos de TV por assinatura.
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Os roteadores são os mais afetados. De acordo com o serviço de análise de desmontagem e lista de materiais da Counterpoint, o custo da DRAM já representa mais de 20% do valor total dos componentes em roteadores de entrada e intermediários.
Há um ano, essa fatia era de cerca de 3%. Isso mostra como a alta da memória passou a pesar muito mais no preço final desses aparelhos.
A TP-Link, que lidera o mercado de roteadores nos Estados Unidos, ainda não informou se vai repassar esse aumento ao consumidor.
A Counterpoint orienta que operadoras de telecomunicações acompanhem de perto a variação nos preços da memória para decidir os próximos passos.








