A nova fase da divisão Xbox, da Microsoft, começou em meio a questionamentos da comunidade. Na sexta-feira, a empresa anunciou a saída de dois nomes conhecidos do público: Phil Spencer, que se aposentou, e Sarah Bond, que deixou a companhia para seguir outros projetos profissionais.
Para o lugar, foi escolhida Asha Sharma, de 36 anos, agora CEO da área de Microsoft Gaming. A nomeação, porém, já começou cercada de críticas por parte de jogadores.
Sharma não tem histórico profissional na indústria de games. Essa é a segunda passagem dela pela Microsoft. A executiva entrou na empresa em 2011, atuando por dois anos na área de marketing.
Depois, assumiu o cargo de COO na Porch Group, empresa ligada a seguros residenciais. Em seguida, foi para a Meta, onde liderou produtos como Messenger e Instagram Direct, além de trabalhar com chamadas, vídeo e experiências voltadas ao público infantil.
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Em 2021, mudou novamente de empresa e virou COO da Instacart, companhia de tecnologia focada em supermercados. Três anos depois, retornou à Microsoft como presidente de produtos da divisão CoreAI, comandando iniciativas ligadas a modelos de inteligência artificial, aplicativos, agentes, IA responsável e ferramentas para desenvolvedores.
O ponto que mais gera desconfiança entre parte dos fãs não é apenas a falta de experiência com games, mas o fato de ela ter vindo diretamente da área de inteligência artificial da própria Microsoft.
Em comunicado preparado para anunciar sua chegada ao cargo, Sharma disse que a empresa não vai buscar ganhos rápidos a qualquer custo nem encher o ecossistema com conteúdos automáticos sem qualidade feitos por IA.
Mesmo assim, a estreia pública não foi tranquila. Durante o fim de semana, a executiva respondeu a diversos usuários na rede social X, tentando se aproximar da comunidade Xbox.
Alguns jogadores passaram a sugerir que as respostas publicadas por ela teriam sido escritas com ajuda de um bot de inteligência artificial.
Em uma das mensagens, ela comentou sobre jogos como Halo, Valheim, 007 e Chrono Trigger, agradecendo pelos detalhes compartilhados por um usuário. Outro ponto que chamou atenção foi a divulgação pública de sua Gamertag.
Fãs notaram que a conta foi criada no mês anterior e já acumulava várias horas de jogo. Depois, Sharma comentou que não é "um Phil Spencer", em referência à fama do ex-CEO por jogar com frequência.
Em atualização publicada em 24 de fevereiro de 2026, a executiva respondeu às acusações. Ela afirmou que fingir seria uma péssima ideia e que isso não funcionaria.
Disse que criou a Gamertag recentemente para entender melhor esse universo e que jogou com a família em uma conta compartilhada entre dispositivos.
Segundo ela, isso explica a variedade de jogos e conquistas exibidas. No fim de semana, o uso foi ajustado para que cada pessoa passasse a utilizar sua própria conta.
Também disse que escreve as próprias publicações e que seu objetivo principal não é ser a melhor jogadora, mas tornar o Xbox o melhor lugar para jogar, fortalecendo a marca para o futuro.
Enquanto isso, Seamus Blackley, um dos criadores do Xbox, comentou publicamente que a missão real de Sharma seria conduzir a divisão de games a um encerramento gradual, enquanto a Microsoft focaria totalmente em inteligência artificial.
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Apesar das críticas, não existe obrigação de que um executivo da área seja jogador ativo. Ainda assim, a combinação entre pouca experiência na indústria de games, histórico recente com IA e o momento delicado da marca faz com que a nova CEO comece sua gestão sob pressão de parte da comunidade.
No fim das contas, o desempenho da divisão deve pesar mais que as polêmicas. Em 2026, ano em que o Xbox completa 25 anos, a empresa tem no calendário títulos como Fable, Forza Horizon 6, Halo: Campaign Evolved e Gears of War: E-Day, projetos herdados da liderança anterior.








