O governo do Japão está tentando ampliar a produção de semicondutores dentro do próprio país e, para isso, tem buscado atrair grandes fabricantes de memória, como a Samsung e a SK hynix.
A estratégia envolve a oferta de incentivos considerados atrativos para que essas empresas construam novas fábricas de chips em território japonês.
De acordo com informações divulgadas pelo site sul-coreano Chosun Biz, as propostas feitas pelo Japão seriam até mais vantajosas do que investir na Coreia do Sul.
Mesmo assim, fatores políticos estariam impedindo que as companhias avancem com planos de expansão no país vizinho. Nos últimos anos, a produção de chips passou a ser tratada como tema de segurança nacional por países como Japão e Estados Unidos.
Um exemplo disso é o CHIPS Act norte-americano, que destinou recursos para fortalecer a fabricação local de semicondutores. Seguindo esse movimento global, o governo japonês também quer estimular investimentos privados para fortalecer sua indústria.
Segundo o relatório citado, os incentivos japoneses não se limitam a apoio financeiro. O país também estaria disposto a estruturar suporte logístico e fortalecer a cadeia de suprimentos para facilitar a operação das fábricas.
Uma análise mencionada na publicação aponta que o custo total de propriedade (TCO) de uma fábrica de memória no Japão poderia ser até 50% menor do que na Coreia do Sul. Esse dado chama atenção em um momento em que o mercado de memória enfrenta restrições de oferta.
Apesar desse cenário, as empresas sul-coreanas ainda não demonstram interesse em construir novas unidades no Japão. A SK hynix, inclusive, negou informações de que estaria organizando uma cadeia de suprimentos de DRAM no país.
- Leia também: Samsung inicia envio comercial da HBM4 e integra memória à arquitetura Vera Rubin da NVIDIA
O Japão também vem se posicionando como alternativa na cadeia global de semicondutores, ao lado dos Estados Unidos. Recentemente, foi firmado um acordo relevante com a TSMC.
A fábrica da empresa em Kumamoto recebeu atualização para produzir chips em 3 nanômetros, mirando a demanda de companhias de inteligência artificial que atuam no modelo fabless, ou seja, que desenvolvem chips, mas não possuem fábricas próprias.
Mesmo com os incentivos e a disposição do governo japonês em investir pesado no setor, Samsung e SK hynix seguem sem planos de instalar novas fábricas de memória no país. Questões geopolíticas e decisões internas continuam influenciando os rumos da indústria.
No cenário atual, o Japão ganha espaço como peça estratégica na reorganização da cadeia global de semicondutores. Ainda assim, o avanço desse movimento depende das escolhas das grandes fabricantes e do ambiente político na região.








