As sanções dos Estados Unidos limitaram o acesso da Huawei às tecnologias mais avançadas de litografia e aos equipamentos usados na fabricação de chips de última geração.
Ao mesmo tempo, a medida também incentivou a empresa chinesa a buscar alternativas próprias, reduzindo sua dependência de fornecedores estrangeiros.
Durante um anúncio recente, a Huawei informou que pretende alcançar, até 2031, uma tecnologia de fabricação de chips equivalente ao futuro processo de 1,4 nanômetro da TSMC. Apesar da meta ambiciosa, ainda existem vários pontos que precisam ser observados.
Além de apresentar sua nova tecnologia chamada "LogicFolding Design", que deverá ser utilizada em um chipset Kirin ainda este ano, a executiva He Tingbo revelou que a Huawei pretende lançar uma tecnologia de litografia equivalente a 1,4nm até 2031.
A empresa não divulgou detalhes sobre como pretende atingir esse objetivo, o que deixa diversas questões em aberto. Antes disso, é importante considerar a escala dos investimentos da TSMC para iniciar a produção em massa de chips de 1,4nm prevista para 2028.
Estimativas indicam que a fabricante taiwanesa investirá cerca de US$ 49 bilhões, valor próximo de R$ 273 bilhões na cotação atual, na construção de quatro fábricas.
Isso sem considerar a utilização das máquinas High-NA EUV da ASML, que custam aproximadamente US$ 400 milhões cada, ou cerca de R$ 2,2 bilhões.
Para fabricar chips em uma litografia semelhante, a Huawei precisaria ter acesso à tecnologia da ASML. Porém, as restrições impostas pelos Estados Unidos impedem que as duas empresas mantenham relações comerciais.
Existe, por outro lado, a possibilidade de a China desenvolver equipamentos próprios capazes de alcançar um nível semelhante ao da TSMC.
No ano passado, surgiram informações de que máquinas EUV desenvolvidas no país poderiam entrar em produção experimental durante o terceiro trimestre de 2025.
Outra possibilidade envolve a SiCarrier, uma das principais empresas chinesas que trabalham em alternativas nacionais aos equipamentos EUV da ASML.
Informações divulgadas no primeiro semestre de 2025 indicavam que a companhia buscava captar US$ 2,8 bilhões, cerca de R$ 15,6 bilhões, em investimentos. Desde então, não houve atualizações sobre o andamento desse processo.
Como ainda faltam vários anos até 2031, a Huawei tem tempo para desenvolver diferentes estratégias relacionadas à sua tecnologia equivalente a 1,4nm.
Ainda assim, sem equipamentos avançados de litografia, alcançar essa meta continua sendo um grande desafio. A meta anunciada pela Huawei chama atenção pelo nível de complexidade envolvido.
No setor de tecnologia, apresentar planos de longo prazo é uma etapa importante, mas transformar esses projetos em produtos fabricados em larga escala é um processo muito mais complexo.
