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Google TurboQuant gera reação no mercado de memória, mas escassez deve continuar

A escassez de memória pode continuar até 2027, apesar da estreia do Google TurboQuant, que promete maior eficiência em uso de memória.
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A indústria de memória passou por forte volatilidade nas últimas semanas após a estreia do Google TurboQuant, mas a ideia de que a escassez teria acabado é vista como uma interpretação equivocada.

Com a queda recente nos preços de DDR, surgiu a discussão sobre o papel do algoritmo TurboQuant do Google. Porém, associar essa tecnologia ao fim da escassez de memória foi um equívoco, segundo relatório recente do Financial Times.

Após a publicação do blog sobre o TurboQuant, houve uma forte venda de ações no mercado de memória, afetando fornecedores como Micron, Samsung e SK hynix.

O movimento gerou preocupação entre varejistas e até revendedores de RAM, que interpretaram a novidade como o fim da inflação da DRAM. Porém, indicadores recentes, como receita e projeções de demanda, apontam que a escassez deve continuar.

"Não imaginávamos que uma tecnologia que surgiu da pergunta acadêmica 'Como comprimir dados de forma mais eficiente?' causaria um efeito social e econômico tão grande." — Han In-su, via Financial Times

O que é o TurboQuant?

Entrar em detalhes técnicos tornaria a análise mais longa, mas a proposta do algoritmo é executar modelos de linguagem (LLMs) em aceleradores com menor consumo de memória, aumentando a eficiência no uso desse recurso.

Alguns especialistas compararam o TurboQuant ao Paradoxo de Jevons. Na prática, mesmo com maior eficiência, a demanda total pode crescer. O ciclo atual indica uma transição de crescimento mais agressivo para uma adoção mais ampla e prolongada.

Isso aparece, por exemplo, nos contratos plurianuais que fornecedores de DRAM estão fechando com hyperscalers para ter mais previsibilidade de demanda.

Receita da Samsung reforça demanda

No relatório financeiro do primeiro trimestre, a Samsung registrou cerca de US$ 37 bilhões apenas no segmento de DRAM — aproximadamente R$ 185 bilhões na cotação atual próxima de R$ 5 por dólar. Os números operacionais ficaram próximos aos de grandes hyperscalers.

Ao mesmo tempo, há expectativa de aumento nos preços contratuais de DRAM nos próximos trimestres, indicando que a memória entrou em uma fase em que projetos de IA dependem fortemente desse componente.

O CEO da Dell, Michael Dell, comentou recentemente que a demanda pode crescer para níveis sem precedentes, impulsionada pelo aumento no consumo de memória por processador.

Escassez pode durar até 2027

A única situação que pode reduzir a escassez seria a entrada de nova capacidade de produção, já que a demanda não deve cair no curto prazo.

Com base nesse cenário, a escassez de memória pode continuar até o segundo semestre de 2027 — ou até além disso — dependendo da velocidade com que os fornecedores conseguirem ampliar a produção. A reação ao TurboQuant mostrou como o mercado de memória continua sensível a mudanças tecnológicas.

Apesar da maior eficiência trazida pelo algoritmo, a demanda por memória segue em alta, impulsionada pela expansão da inteligência artificial e pelos contratos de longo prazo entre fabricantes e empresas de nuvem.

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