Empresas como Apple, Qualcomm e MediaTek foram beneficiadas ao manter a parceria com a TSMC. Além de desenvolverem chipsets mais avançados para smartphones, essas empresas também ampliaram o nível de desempenho, algo que dificilmente seria alcançado sem os processos de fabricação mais recentes da fabricante taiwanesa.
Ainda neste ano, os SoCs devem alcançar frequências próximas de 5,00GHz pela primeira vez. Enquanto isso, a Huawei encontra dificuldades para acompanhar a concorrência, já que não possui acesso à tecnologia da TSMC.
Huawei não adotou litografia EUV no mesmo ritmo
A Huawei não avançou rapidamente na adoção da litografia EUV, e seus chipsets da linha Kirin ainda não ultrapassaram a barreira de 3,00GHz. Isso ocorre porque a empresa depende do processo de 7nm da SMIC.
Um gráfico compartilhado por Kurnal mostra que Apple, Qualcomm e MediaTek aumentaram gradualmente as frequências dos núcleos de desempenho. Com isso, essas empresas já trabalham com a meta de 5,00GHz.
O Snapdragon 8 Elite Gen 5, da Qualcomm, já opera com clock padrão de 4,61GHz, enquanto o Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro pode alcançar 5,00GHz, segundo rumores.
O Dimensity 9600 Pro, da MediaTek, também deve atingir números semelhantes. Já os núcleos de desempenho do Apple A19 Pro podem chegar a 4,26GHz.
Esse avanço aumenta o desempenho tanto em tarefas single-thread quanto multi-thread, enquanto a Huawei segue sem acompanhar o mesmo ritmo.
Sanções dos EUA limitaram evolução da Huawei
Mesmo assim, a Huawei não ficou atrás apenas por decisões internas. As sanções comerciais dos Estados Unidos impedem que a empresa mantenha relações comerciais com a TSMC. Essas restrições estão em vigor desde 2019 e afetaram diretamente a evolução dos chips da empresa.
Ainda assim, havia a possibilidade de antecipar essa limitação e investir mais cedo em soluções próprias, considerando que o acesso da China às litografias mais avançadas poderia ser interrompido.

Atualmente, a Huawei tem dificuldades para alcançar seus concorrentes porque a SMIC continua limitada ao processo de 7nm. A empresa não possui equipamentos EUV mais recentes e depende da tecnologia DUV, considerada de geração anterior.
Há relatos de que a China desenvolveu um protótipo próprio de equipamento EUV, mas não existe confirmação sobre o início da produção em larga escala.
Kirin 9030 continua abaixo de 3GHz
O Kirin 9030, SoC mais recente da Huawei, ainda não ultrapassou 3,00GHz. Isso mostra como o parceiro de fabricação influencia diretamente na evolução tecnológica.
Mesmo com chips próximos de 5,00GHz, Apple, Qualcomm e MediaTek ainda tem limitações físicas. Frequências mais altas aumentam o consumo energético e a temperatura, o que pode causar redução automática de desempenho, conhecida como thermal throttling.
Para reduzir esse efeito, fabricantes utilizam soluções de resfriamento mais avançadas, como câmaras de vapor maiores, pequenos ventiladores ativos e tecnologias como Heat Pass Block.
Essas soluções ajudam a manter o desempenho em cargas de trabalho prolongadas. A evolução para 5GHz em chips de smartphones está diretamente ligada aos processos de fabricação mais avançados da TSMC.
Apple, Qualcomm e MediaTek avançam nesse cenário, enquanto a Huawei permanece limitada pela ausência de litografia mais recente e pelas sanções comerciais.
Mesmo assim, o aumento das frequências também traz novos desafios térmicos, exigindo soluções de resfriamento mais eficientes nos próximos dispositivos.