Um caso de suposto roubo de segredos industriais envolvendo o chip Google Tensor pode levar três engenheiros do Vale do Silício a penas que chegam a 20 anos de prisão nos Estados Unidos. A investigação ganhou ainda mais atenção por causa de uma possível ligação com o Irã.
De acordo com comunicado do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, por meio da Promotoria do Distrito Norte da Califórnia, Samaneh Ghandali, Mohammadjavad Khosravi e Soroor Ghandali foram formalmente acusados de conspiração para roubo de segredos comerciais da Google e de outras grandes empresas de tecnologia, além de roubo e tentativa de roubo dessas informações e obstrução de justiça.
Os três foram presos na quinta-feira e compareceram ao tribunal federal em San Jose, na Califórnia. Samaneh Ghandali e Soroor Ghandali são irmãs e trabalharam anteriormente na Google.
Samaneh atuava como engenheira de hardware, enquanto Soroor foi estagiária. Depois, ambas passaram a trabalhar em outra empresa, citada nos documentos do processo apenas como "Empresa 3".
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Mohammadjavad Khosravi, marido de Samaneh, trabalhava na "Empresa 2" e chegou a se candidatar diversas vezes a vagas na Google, mas não foi contratado.
Segundo a acusação, os três teriam obtido e transferido documentos confidenciais e sensíveis, incluindo segredos comerciais ligados à segurança de processadores, criptografia e outras tecnologias, da Google e de outras companhias do setor.
Esses arquivos teriam sido enviados para locais não autorizados, como contas pessoais, plataformas de comunicação de terceiros, dispositivos de trabalho ligados a outros empregadores e também para o Irã.
As duas irmãs são apontadas como responsáveis por transferir centenas de arquivos, incluindo segredos comerciais da Google, para contas em uma plataforma de comunicação externa.
De acordo com a denúncia, esses dados teriam sido copiados posteriormente para vários dispositivos pessoais, além do computador de trabalho de Khosravi na Empresa 2 e do dispositivo profissional de Soroor na Empresa 3.
A acusação também afirma que o grupo tentou esconder as ações. Eles teriam apresentado declarações falsas às empresas afetadas e buscado apagar os conteúdos copiados e seus rastros digitais.
Em vez de enviar documentos completos em alguns casos, os acusados teriam fotografado manualmente as telas com as informações exibidas.
O processo cita ainda que, na noite anterior à viagem de Samaneh Ghandali e Mohammadjavad Khosravi ao Irã, em dezembro de 2023, Samaneh teria feito cerca de 24 fotos da tela do computador de trabalho do marido, que continha informações sigilosas da Empresa 2.
Já no Irã, um dispositivo pessoal ligado a ela acessou essas imagens, enquanto Khosravi acessou outros dados confidenciais da mesma empresa. Parte das informações mencionadas envolve segurança de processadores e criptografia relacionadas ao chip Google Tensor.
Isso pode incluir tecnologias como o coprocessador de segurança Titan M2, usado para proteger dados do usuário em nível de hardware, como chaves de criptografia e informações biométricas. Esse componente foi utilizado junto com o Tensor G3 nos smartphones Pixel 8 e Pixel 8 Pro, lançados em outubro de 2023.
O Tensor G3 também conta com um núcleo de segurança próprio integrado ao chip, responsável por executar controles sensíveis em um ambiente isolado dentro do sistema. Já o futuro Tensor G6 deve chegar com o novo coprocessador de segurança Titan M3.
As autoridades ainda não divulgaram todos os detalhes do caso. A investigação segue em andamento e novas informações devem surgir com o avanço do processo judicial.








