Uma das negociações mais importantes da história do Magazine Luiza, uma das maiores redes de varejo do Brasil, está correndo risco de ser desfeita.
A compra do Kabum! a maior plataforma de e-commerce de tecnologia e games do país realizada em julho de 2021 por cerca de R$ 1 bilhão, pode ser desfeita.
Os fundadores do Kabum!, os irmãos Leandro e Thiago Ramos, afirmam que o Magalu havia se comprometido a pagar, além dos R$ 1 bilhão em dinheiro, mais R$ 2,5 bilhões em ações da própria varejista, o que tornaria os Ramos sócios do Magalu.
Entretanto, no mesmo dia em que a aquisição do Kabum! foi anunciada, o Magazine Luiza também lançou uma oferta subsequente de ações, fazendo o preço das ações da empresa cair consideravelmente.
Em julho de 2021, cada ação do Magalu fechou valendo R$ 23,72, mas recentemente foi negociada a apenas R$ 3,17. Estimativas da época indicaram que a empresa ganhou mais de R$ 16 bilhões em valor de mercado com a compra, passando de R$ 159,8 bilhões para R$ 176,8 bilhões.
Em decorrência da desvalorização das ações, os fundadores do Kabum! alegam que o negócio, que deveria valer R$ 3,5 bilhões, agora vale apenas metade do preço, R$ 1,7 bilhão.
Por esse motivo, eles entraram com um requerimento na Câmara de Comércio Brasil Canadá, buscando a abertura de um processo de arbitragem contra o Magazine Luiza.
Eles desejam que o acordo seja desfeito ou, então, que a varejista honre o valor inicialmente acordado, de R$ 3,5 bilhões. Além disso, os irmãos Ramos também questionam o papel do banco Itaú BBA no processo, alegando um conflito de interesses.
O banco foi contratado pelos fundadores do Kabum! para encontrar um comprador no mercado, mas ao mesmo tempo, foi chamado pelo Magalu para coordenar a oferta subsequente de ações, sem que os fundadores do Kabum! estivessem cientes disso.
A defesa dos fundadores do Kabum!, representada pelo escritório de advocacia Warde Advogados, argumenta que o Itaú BBA conduziu todo o processo para que o Magalu fosse o comprador, mesmo havendo sondagens de outras empresas interessadas.
A investigação dos bastidores do negócio, feita por uma empresa de espionagem chamada Kroll, revelou um detalhe importante: o diretor do Itaú BBA, Ubiratan dos Santos Machado, é concunhado de Fred Trajano, CEO do Magalu.
Os fundadores acreditam que essas relações pessoais e comerciais entre o banco e a varejista podem ter influenciado o resultado do processo de compra.
Fred Trajano, além de CEO do Magalu, também é membro do conselho de administração do Itaú Unibanco desde 2020. A história veio à tona em fevereiro deste ano, quando os irmãos Ramos entraram com uma ação contra o Itaú BBA.
Em abril, os irmãos Ramos foram demitidos da presidência do Kabum! pelo Magalu, mas a permanência deles no cargo fazia parte do acordo inicial.
Agora, os fundadores abriram um processo de arbitragem na tentativa de reverter a transação. O Itaú BBA nega todas as acusações e afirma que o processo de venda foi competitivo, diligente e transparente.
O banco destaca que cinco potenciais compradores enviaram propostas pela empresa, e que os antigos acionistas do Kabum! estavam à frente das negociações, tomando todas as decisões ao longo do processo.
Além disso, o banco ressalta que a relação entre o Itaú e o Magalu, bem como a participação do CEO do Magazine Luiza no conselho de administração da instituição financeira, são fatos públicos e notórios, conhecidos não apenas pelos antigos acionistas do Kabum!, mas também pelo público em geral.
Via: MSN