Inteligência Artificial

Engenheiro da DeepSeek explica por que desenvolve uma IA que pode substituí-lo

Engenheiro da DeepSeek discute como IA pode substituir seu trabalho em até um ano, mas defende código aberto e continua motivado pelo desafio.
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Shengyu Liu, engenheiro da DeepSeek, acredita que a inteligência artificial que ajuda a desenvolver poderá substituir seu trabalho em breve. Ainda assim, ele vê motivos para continuar.

Conhecido como interestingLSY/intlsy, Liu trabalha com kernels, componentes de software ligados à execução das tarefas. Em uma publicação no blog, ele expôs suas dúvidas sobre o futuro da profissão.

Para ele, a concorrência torna difícil desacelerar. Mesmo que interrompesse seu trabalho, outras empresas seguiriam criando modelos capazes de substituí-lo.

Liu também duvida que OpenAI e Anthropic tornem suas melhores tecnologias acessíveis à maioria das pessoas. Na visão dele, os objetivos da DeepSeek estão mais próximos do acesso livre à IA.

IA pode alcançar a qualidade de seu trabalho em até um ano

O debate sobre o ritmo de avanço da IA se intensificou no fim de semana. Dario Amodei, CEO da Anthropic, surpreendeu observadores ao defender uma desaceleração no desenvolvimento.

Jensen Huang, da NVIDIA, contestou Amodei. Já Elon Musk e Sam Altman, da OpenAI, estiveram entre os nomes que apoiaram a proposta de reduzir o ritmo.

Mark Zuckerberg, da Meta, apresentou outra posição. Em uma publicação longa, ele explicou que a empresa já havia reduzido internamente o ritmo de desenvolvimento dos modelos por questões de segurança, sem grandes anúncios.

Liu entrou nessa discussão com uma publicação extensa. Segundo o engenheiro, a IA passou, em pouco tempo, de uma assistente para revisar código e ler documentos a uma ferramenta com tarefas mais complexas.

Hoje, segundo ele, esses sistemas já conseguem examinar plataformas de programação como o CUDA, da NVIDIA, e analisá-las com ferramentas de execução.

DeepSeek V4

Na avaliação de Liu, a IA poderá produzir código com qualidade equivalente à de seu trabalho dentro de seis meses a um ano.

Ele estima que esses sistemas processem cerca de 300 tokens por segundo, escrevam uma linha de comandos em um segundo e produzam um trecho de código em 20 segundos. Para Liu, esse ritmo supera muito sua capacidade.

Nesse cenário, ele acredita que o papel dos profissionais passará do desenvolvimento direto para o uso da IA na criação de programas de alto desempenho em pouco tempo.

Por que continuar desenvolvendo uma IA que pode substituí-lo?

Liu reconhece que, à primeira vista, esses avanços dão poucos motivos para continuar melhorando seus produtos. Mas a satisfação de desenvolver IA e o orgulho de criar produtos que superam as expectativas ainda o motivam.

A concorrência também pesa nessa decisão. Para ele, desacelerar seu próprio trabalho não impediria que outras empresas criassem modelos capazes de executar suas funções.

Há ainda uma motivação ligada ao acesso à tecnologia. Liu descreve dois possíveis caminhos para a sociedade com o avanço da IA: um semelhante ao jogo Cyberpunk 2077 e outro baseado em um modelo comunista.

No cenário de Cyberpunk, a IA ficaria sob o controle de poucos grupos. Uma pequena parcela da população teria acesso à melhor tecnologia, enquanto as demais pessoas usariam opções de menor desempenho.

O engenheiro questiona qual desses caminhos seria seguido se a Anthropic tivesse a IA mais poderosa: o modelo comunista ou a sociedade de Cyberpunk 2077.

Engenheiro defende código aberto e critica a Anthropic

Liu não acredita que OpenAI ou Anthropic disponibilizem os sistemas mais avançados a todos, de forma aberta e barata.

Por isso, ele vê seu trabalho na DeepSeek como a única maneira de tornar as melhores tecnologias de código aberto. Ao tratar da Anthropic, o engenheiro faz uma comparação extrema.

Para ele, dar à empresa o domínio da melhor IA ou da inteligência artificial geral, a AGI, seria como entregar uma arma de destruição em massa a Hitler antes que os Aliados dominassem a tecnologia.

É essa preocupação com o controle e o acesso à IA que, junto da concorrência e da satisfação com o trabalho, sustenta sua decisão de continuar, mesmo diante do risco de ser substituído.