O anúncio de Diablo V foi a maior surpresa da BlizzCon 2026. Até a cerimônia de abertura, não havia rumores sobre o jogo.
A proposta torna a revelação ainda mais interessante. A história não será sobre impedir a chegada do Senhor do Terror, mas sobre viver em Santuário depois de sua conquista.
Essa mudança animou a comunidade. O painel Forging the Next Era trouxe detalhes do projeto, previsto para a primavera de 2029 no hemisfério norte.
Johanna Faries, presidente da Blizzard, apresentou a conversa com Joe Shely, diretor sênior do jogo, Tiffany Wat, diretora sênior de produção, e John Mueller, diretor sênior de arte. Também participaram Jennifer Hepler, diretora de narrativa, e Matt Zitterman, produtor executivo.

Por que fazer Diablo V em vez de uma expansão?
A equipe começou analisando os diferentes perfis de jogadores que a série reuniu em 30 anos. Há quem acompanhe a história e a atmosfera de fantasia sombria.
Outros preferem derrotar chefes um após o outro e otimizar cada detalhe das builds. Entre esses dois grupos, há jogadores que combinam os dois interesses.
A ideia era definir a qual perfil cada recurso atenderia primeiro. Depois, a equipe avaliou o que funcionou em Diablo IV e as mudanças feitas a partir das sugestões do público.
Também foram discutidas as áreas em que os desenvolvedores queriam testar algo diferente. Foi daí que surgiu a dúvida entre uma expansão e uma sequência.
A decisão passou pela estrutura do jogo. Uma sequência dá espaço para mudar suas bases, algo muito difícil em um título com anos de conteúdo, expansões e temporadas.
Havia ainda a questão do próprio Diablo. Para Zitterman, Mephisto e Lilith foram personagens grandiosos e bem desenvolvidos em Diablo IV e suas expansões. Diablo merece isso e mais.

Santuário está sob o domínio de Diablo há sete anos
Jennifer Hepler apresentou a premissa de que durante 30 anos, os jogadores tentaram proteger Santuário antes que Diablo chegasse ao poder.
Em Diablo V, outros heróis tentaram detê-lo e falharam. O jogador viverá as consequências dessa derrota. A história começa sete anos depois da conquista de Santuário.
Diablo governa a partir do trono de Westmarch e usa os humanos e suas almas como armas no Conflito Eterno. O domínio sobre Santuário é uma etapa de seu objetivo maior: invadir os Céus.
O Continente Ocidental virou uma base do Inferno. Restam poucos humanos que não se submeteram ou aderiram aos cultos. Um pequeno e aterrorizante grupo de humanos poderosos foi corrompido e transformado nos Dread Commanders.
Seus poderes rivalizam com os dos duques do Inferno. Quem resiste acaba em uma prisão de almas ou é arrastado para o Terror Realm, a região particular de Diablo no Inferno.
O protagonista é o herdeiro de Westmarch. Sua jornada começa quando descobre que consegue entrar no Terror Realm e sobreviver.
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A equipe chegou a considerar um Diablo moralmente ambíguo, seguindo o histórico da Blizzard com Sylvanas e Lilith. Mas a conclusão foi sempre a mesma.
Diablo não é incompreendido e não tem redenção. A questão não é saber se ele tem alguma razão, mas o que fazer agora que venceu.
Assim como na relação com Lilith, o protagonista terá uma ligação pessoal misteriosa com Diablo. Essa conexão será revelada ao longo do jogo.
Ela faz do personagem uma ameaça real ao Senhor do Terror, mas também o torna vulnerável à influência dele de uma maneira única.

Geração procedural volta às masmorras e ao mundo aberto
Uma das principais mudanças de Diablo V é a volta da geração procedural, com cenários criados por sistemas do jogo, tanto nas masmorras quanto no mundo aberto.
Segundo Tiffany Wat, os Dread Commanders estão modificando as terras de Santuário. A equipe deu a esse processo o nome de Terror Forming.
Ao retornar a uma região, o jogador poderá encontrar pontos de referência, terrenos, monstros e recompensas diferentes.
Assim, conhecer uma área em um dia não garante vantagem no seguinte. Joe Shely quer que o jogador nunca se sinta totalmente seguro, algo mais fácil em um mundo sem cidades.
John Mueller explicou que a direção de arte trabalha com três perspectivas: passado, presente e futuro. O passado representa tudo o que foi perdido, com um Santuário desolado e marcado pela ausência humana.
O presente mostra os lugares atingidos pelo mal. São áreas devastadas pelos Dread Commanders, que passaram a ter características estranhas.
Já o futuro representa o que o herói tentará impedir: a chegada completa do Inferno. Cada Dread Commander terá um tema visual próprio nas terras que corrompeu.

Uma caravana será o abrigo dos sobreviventes
Todos os povoados dessa versão pós-apocalíptica de Santuário foram destruídos. Por isso, a Blizzard precisou encontrar outra forma de criar um lugar seguro.
A solução foi uma caravana. Em vez de viajar entre cidades, o jogador levará consigo um grupo de carroças e seguidores.
A caravana crescerá assim que outros sobreviventes forem encontrados. Seus integrantes atuarão como comerciantes, artesãos e companheiros.
Zitterman comparou a sensação à do Acampamento das Renegadas no Diablo original: pessoas reunidas ao redor de uma fogueira, tentando preservar um último espaço seguro.
Essa escolha também muda a estrutura das missões de uma forma mais interessante do que parece à primeira vista. Não há mais civis comuns em Santuário, nem personagens à beira da estrada distribuindo tarefas.
Todo o conteúdo secundário virá dos integrantes da caravana. Cada missão fará parte da história pessoal de alguém que passou a acompanhar o protagonista. Dois companheiros foram apresentados.
Um deles é uma ex-integrante das Irmãs do Olho Cego. O outro, que recebeu mais tempo no painel, é o goblin do tesouro Zarg. Seu motivo para entrar no grupo é simples: ele considera muito mais fácil roubar o protagonista do que Diablo.

Diablo V terá mais classes que qualquer título anterior
Joe Shely anunciou as três primeiras classes de Diablo V: Demon Hunter, Monk e Plague Knight. O Demon Hunter, ou Caçador de Demônios, retorna com duas bestas.
Ele ataca das sombras e salta pelo campo de batalha para prender demônios contra as paredes. É a classe favorita de Shely, que também recebeu a promessa de ganhar um cachecol.
O Monk, ou Monge, volta para destruir demônios com os punhos e atingir com luz sagrada os inimigos que estiverem fora de alcance.
Já o Plague Knight, ou Cavaleiro da Praga, usa armadura pesada. A classe foi descrita como a morte em forma física, espalhando doenças e pestilência pelo campo de batalha.
Depois, o personagem consome essas doenças para ganhar poder. A promessa é que Diablo V chegue com mais classes do que qualquer jogo anterior da franquia.
Shely especificou que a comparação considera o total de classes de cada título, e não apenas as disponíveis no lançamento de cada um.

Itens resgatam runas, palavras rúnicas e inventário de Diablo II
O sistema de itens terá três princípios: profundidade, facilidade de compreensão e identidade. A inspiração direta é Diablo II. Os itens começam simples e evoluem junto com o jogador.
Equipamentos grandes voltarão a ocupar vários espaços no inventário. A equipe de arte gostou do retorno desse formato, tanto pela familiaridade quanto pelo espaço para ícones maiores.
Para quem joga com controle e gosta de organizar o inventário em grade, os desenvolvedores disseram que já têm soluções em mente. Os conjuntos de equipamentos também estarão de volta.
A equipe gostou do sistema de talismã da expansão Lord of Hatred, de Diablo IV, mas quis associar os conjuntos aos equipamentos novamente.
A ideia é que encontrar uma peça e reconhecê-la como parte de um conjunto crie um objetivo próprio para o jogador. Os desenvolvedores também têm ideias para aumentar a variedade de builds viáveis com esses conjuntos, sem restringir as opções.
A publicação oficial da Blizzard acrescenta um detalhe que não foi apresentado de forma direta no painel. Haverá um sistema de criação de itens amplo e aprofundado.
Ele será inspirado na abordagem de Lord of Hatred e incluirá runas e palavras rúnicas no estilo de Diablo II. A equipe também testa requisitos de atributos para usar itens, mas esse recurso ainda não está definido.

Atualizações sobre o desenvolvimento começam em 2027
Zitterman explicou por que a Blizzard anunciou Diablo V com anos de antecedência, a equipe quer receber sugestões da comunidade desde cedo.
O objetivo é envolver os jogadores no desenvolvimento, com espaço para participação antes de o produto estar pronto. As atualizações regulares começam em 2027. Até lá, os interessados já podem se cadastrar no site oficial.








