A Apple estuda uma estratégia diplomática para voltar a usar chips NAND da fabricante chinesa YMTC em iPhones vendidos apenas na China.
A mudança veio após custos maiores de memória afetarem a margem da empresa, enquanto restrições dos Estados Unidos haviam interrompido a parceria anteriormente.
A proibição imposta pelos EUA levou a Apple a encerrar a relação com a YMTC, fabricante chinesa de memória flash NAND. Com isso, a empresa passou a depender principalmente de fornecedores sul-coreanos.
Ao mesmo tempo, a atual crise de DRAM aumentou o custo de componentes, incluindo armazenamento e memória. Segundo estimativas, a Apple agora paga cerca de US$ 70 por chip de memória LPDDR5X, valor que corresponde a aproximadamente R$ 400 na cotação atual.
Mesmo com capacidade financeira para absorver esses custos, a Apple avalia que essa situação não favorece sua estratégia de longo prazo.
Por isso, a empresa considera voltar a comprar chips NAND da YMTC, mas apenas para iPhones vendidos no mercado chinês.
Dessa forma, a companhia tenta manter suas margens e, ao mesmo tempo, evitar conflitos com o governo dos Estados Unidos. A YMTC surge como opção viável por causa do avanço tecnológico recente.
Um relatório do Nikkei Asia aponta que a China tem como meta atingir 80% de autossuficiência na indústria de semicondutores.
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No mês passado, as empresas chinesas CXMT e YMTC foram retiradas da lista de companhias restritas do Pentágono.
A mudança abriu espaço para novas parcerias com empresas globais, incluindo a Apple, tanto para fornecimento de NAND quanto de DRAM.
Além da questão estratégica, a tecnologia da YMTC também pesa na decisão. A empresa desenvolveu a tecnologia Xtacking 4.0, que possibilitou a produção em massa de memória NAND com mais de 300 camadas.
Esse avanço aproxima a fabricante chinesa de concorrentes como Samsung, com NAND de 286 camadas, e SK hynix, com 321 camadas.
Com isso, a diferença tecnológica entre as empresas diminuiu. Outro ponto importante é que a tecnologia da YMTC atende aos padrões exigidos pela Apple.
Utilizar esses chips apenas em iPhones vendidos na China também ajuda a evitar possíveis pressões políticas dos Estados Unidos, já que os aparelhos destinados a outros mercados continuariam com fornecedores tradicionais.
O analista Ming-Chi Kuo, da TF International Securities, também comentou a estratégia futura da Apple. Segundo ele, a empresa deve absorver os custos mais altos de DRAM no lançamento do iPhone 18.
A divisão de Serviços da Apple, que inclui assinaturas e aplicativos, deve gerar receita suficiente para compensar essas despesas.
Com essa abordagem, a Apple tenta aproveitar o cenário atual do mercado de semicondutores. A empresa busca reduzir custos, manter crescimento e ampliar sua posição no setor de smartphones.
A estratégia também aumenta a pressão sobre concorrentes como a Samsung, que segue como principal rival da Apple nesse mercado.
A Apple avalia retomar a parceria com a YMTC de forma limitada, usando chips NAND chineses apenas em iPhones vendidos na China. A decisão surge diante do aumento nos custos de memória e do avanço tecnológico da fabricante chinesa.
Ao adotar essa estratégia, a Apple tenta proteger suas margens, evitar tensões políticas com os Estados Unidos e fortalecer sua posição no mercado global de smartphones.







