O encerramento da plataforma social de realidade virtual Rec Room marca mais um momento difícil para o mercado de VR. Após quase dez anos de atividade, o serviço será desligado em 1º de junho de 2026.
A empresa responsável informou em seu blog oficial que a decisão foi tomada após dificuldades para manter o negócio financeiramente viável, mesmo com uma base grande de usuários.
Segundo a equipe do Rec Room, a plataforma alcançou mais de 150 milhões de jogadores e criadores ao longo da última década.
Durante esse período, os usuários criaram mais de 500 milhões de amizades dentro do ambiente virtual. O tempo total gasto na plataforma somou cerca de 68 mil anos.
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Algumas das salas criadas por usuários registraram mais de 500 anos de tempo de jogo cada, indicando forte participação da comunidade.
O Rec Room funcionava como um espaço social em realidade virtual e cresceu junto com a popularização dos headsets, principalmente da linha Meta Quest.
Com o avanço desses dispositivos, que passaram a operar sem cabos e com melhor qualidade visual, mais pessoas passaram a experimentar a tecnologia.
Ainda assim, a realidade virtual continuou sendo um segmento de nicho dentro do mercado de jogos. Mesmo com popularidade, a empresa afirmou que o projeto nunca conseguiu gerar lucro de forma consistente.
Após uma grande rodada de demissões em 2025, a equipe informou que os custos operacionais continuaram maiores que a receita.
A empresa também citou mudanças recentes no mercado de VR e dificuldades gerais no setor de jogos como fatores que reduziram as chances de sustentabilidade financeira.
O fechamento do Rec Room acontece em um momento de cortes em várias empresas ligadas à realidade virtual. A Meta teria demitido cerca de 700 funcionários recentemente, incluindo profissionais da divisão Reality Labs.
Em janeiro de 2026, a empresa também encerrou os estúdios Twisted Pixel e Sanzaru Games. Outro estúdio ligado à Meta, a Camouflaj, deixou de produzir jogos em realidade virtual após cortes internos.
A nDreams também encerrou duas equipes recentemente. Já a Ubisoft demitiu mais de 100 desenvolvedores da Red Storm Entertainment e interrompeu suas atividades de desenvolvimento, incluindo projetos de realidade virtual.
Apesar desse cenário, ainda existem novos projetos em desenvolvimento. A Valve prepara o headset Steam Frame, que pode atrair novos usuários caso chegue ao mercado com preço competitivo.
Ao mesmo tempo, a Meta reduziu o foco no metaverso e a Sony não demonstra muito interesse com a linha PlayStation VR. Mesmo com as dificuldades, desenvolvedores continuam apontando potencial na tecnologia.
O roteirista Rob Yescombe comentou sobre a tentativa de trazer de volta The Invisible Hours, um jogo investigativo em VR focado em narrativa.
Outros títulos conhecidos, como Beat Saber e versões em VR de Resident Evil, também mostram possibilidades dentro do formato.
O setor de jogos passa por um período de mudanças, com demissões e redução de investimentos. Como a realidade virtual já ocupa um espaço menor no mercado, essas mudanças têm impacto maior nesse segmento.
O encerramento do Rec Room mostra as dificuldades enfrentadas pela realidade virtual, mesmo quando há público e engajamento.
O mercado segue ativo, mas enfrenta cortes, mudanças estratégicas e incertezas sobre crescimento no curto prazo.