O novo Dimensity 9500s, da MediaTek, segue um caminho pouco comum no design de chips para celulares. Em vez de usar apenas núcleos de CPU mais recentes, a empresa combinou núcleos de gerações anteriores com um cache considerado o maior da categoria, com 19 MB.
A ideia é compensar a perda de desempenho com mais memória interna no chip, em um momento em que o custo da DRAM segue em alta.
Nos últimos anos, a MediaTek tem buscado soluções diferentes para se destacar no mercado. A empresa foi uma das primeiras a remover núcleos focados em eficiência para tentar ganhar mais desempenho.
Agora, aposta que núcleos mais antigos ainda podem ter espaço, desde que venham acompanhados de um cache maior. O Dimensity 9500s usa apenas núcleos de alto desempenho.
Ele traz um núcleo Cortex-X925 que pode chegar a 3,73 GHz com 2 MB de cache L2, três núcleos Cortex-X4 com 1 MB de cache L2 e quatro núcleos Cortex-A720 com 512 KB de cache L2.
A parte gráfica fica por conta da GPU Immortalis-G925 MP12, com suporte a ray tracing. O chip é fabricado no processo de 3 nanômetros da TSMC, usa uma NPU própria da MediaTek com suporte a IA do tipo agentic, trabalha com memória LPDDR5x e armazenamento UFS 4 com MCQ.
Para efeito de comparação, o Snapdragon 8 Gen 5, da Qualcomm, adota dois núcleos Oryon de alto desempenho a 3,80 GHz e seis núcleos Oryon de médio desempenho a 3,32 GHz.
A GPU é a Adreno 840, também com ray tracing. O chip usa o processo de 3 nanômetros N3P da TSMC, conta com a NPU Hexagon da Qualcomm, memória LPDDR5x e armazenamento UFS 4.1.
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Um ponto que chama atenção no Dimensity 9500s é o uso de núcleos de CPU mais antigos do que os presentes no Dimensity 9500. Em geral, núcleos mais novos entregam mais desempenho e melhor consumo de energia.
Mesmo assim, a MediaTek decidiu seguir outro caminho e equipou o chip com um cache total de 19 MB, além de 12 MB de cache L3 e 10 MB de cache em nível de sistema.
O cache tem papel importante porque funciona como uma ponte entre os núcleos do processador e a memória RAM, que é bem mais lenta.
Com mais dados guardados dentro do próprio chip, o tempo de acesso diminui e o consumo de energia também cai, já que o processador precisa buscar menos informações na memória principal.
Ainda não há resultados públicos de testes mais completos do Dimensity 9500s. Por isso, só será possível saber com mais precisão como esse grande cache afeta o desempenho e a eficiência em comparação com o Snapdragon 8 Gen 5 quando surgirem novos benchmarks.
Se a estratégia funcionar, outros fabricantes podem começar a usar núcleos mais antigos para reduzir custos ligados à memória, principalmente em chips que não são topo de linha.
A MediaTek aposta que um cache maior pode compensar limitações de silícios mais antigos e abrir um novo caminho no design de chips para celulares intermediários.








