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Warhorse Studios teria demitido tradutor após decisão de usar IA em traduções

Tradutor de Kingdom Come: Deliverance 2 é demitido após empresa decidir usar inteligência artificial para traduções.
Imagem de: Warhorse Studios teria demitido tradutor após decisão de usar IA em traduções

O estúdio Warhorse Studios, responsável por Kingdom Come: Deliverance 2, teria demitido o tradutor e diretor interno de dublagem, Max Hejtmánek, após informar que sua função se tornaria ultrapassada com a adoção de inteligência artificial para traduções.

Segundo o profissional, a decisão ocorreu de forma repentina e sem aviso prévio, ou seja, do nada, durante o desenvolvimento do jogo e de seus conteúdos adicionais.

Hejtmánek relatou a situação em uma publicação no Reddit da franquia. Ele disse que entrou na empresa em 2022 e trabalhou principalmente em Kingdom Come: Deliverance 2 e seus DLCs.

De acordo com o relato, no dia 27 de março de 2026, ele foi chamado para uma reunião e informado de que, a partir do mês seguinte, sua função deixaria de existir.

A justificativa apresentada, segundo ele, foi tornar a empresa mais eficiente e reduzir custos, substituindo traduções humanas por inteligência artificial.

O tradutor disse que a decisão foi repentina. Ele comentou que discussões sobre uso de IA já haviam ocorrido anteriormente, mas nunca imaginou que isso pudesse acabar motivando sua demissão.

Hejtmánek também disse que acreditava que seu trabalho era valorizado o suficiente para não representar risco imediato ao cargo.

Após o ocorrido, o profissional declarou sentir-se traído pela gestão e disse estar abalado por deixar colegas com quem trabalhava diariamente.

Em resposta ao site Kotaku, a Warhorse Studios informou que valoriza seus profissionais, mas não comentou o caso específico. A empresa afirmou que não discute situações individuais por respeito à privacidade de funcionários atuais e antigos.

Hejtmánek também disse que sua publicação não tinha como objetivo incentivar ataques contra a empresa ou campanhas negativas contra seus jogos. Segundo ele, a intenção foi informar o público sobre decisões internas que acontecem na indústria de jogos.

O uso de inteligência artificial, especialmente ferramentas de IA generativa, tem gerado debates no setor de games nos últimos anos.

Casos envolvendo uso da tecnologia sem divulgação prévia ao público têm provocado críticas. Um exemplo citado foi o jogo The Alters, da 11 Bit Studios, que confirmou o uso de IA generativa para traduções.

Jogadores identificaram o uso após encontrarem erros nos textos, mas o estúdio disse que a tecnologia foi usada apenas como solução temporária.

O fundador da Warhorse Studios, Daniel Vávra, já havia defendido a Larian Studios após críticas relacionadas ao uso experimental de IA generativa.

O tema também apareceu no relatório GDC State of the Game Industry Report 2026, que indicou que a maioria dos estúdios já utiliza ferramentas de IA generativa.

Apesar disso, muitos profissionais disseram acreditar que a tecnologia não é boa para a indústria. Até o momento, não há indicação de que a Warhorse Studios tenha usado IA generativa na produção de Kingdom Come: Deliverance 2 ou em seus DLCs.

Ainda assim, Vávra comentou anteriormente que a inteligência artificial deve continuar presente no desenvolvimento de jogos.

Segundo ele, a IA pode ajudar equipes menores a produzir jogos em menos tempo. Vávra falou que profissionais humanos continuariam responsáveis por direção de arte, programação, roteiro e design.

A tecnologia, segundo ele, ficaria com tarefas repetitivas, enquanto a equipe focaria nas partes principais do desenvolvimento.

Ele também mencionou que costuma levar cerca de sete anos para produzir um jogo e que a IA poderia acelerar a criação de novos projetos.

Esse caso mostra como a adoção de inteligência artificial começa a influenciar funções tradicionais no desenvolvimento de jogos. Ao mesmo tempo, o debate sobre impacto da tecnologia continua dividido dentro da indústria.