Polônia investiga Apple por uso de dados para anúncios na App Store

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A Apple entrou de vez no radar das autoridades europeias, e agora quem mira nela é a Polônia. O órgão antitruste do país desconfia que a empresa esteja ignorando suas próprias regras de privacidade do App Tracking Transparency (ATT) para exibir anúncios personalizados dentro de plataformas como a App Store usando dados de rastreamento sem pedir autorização ao usuário.

Segundo a Reuters, o UOKiK — órgão responsável por regular concorrência e práticas comerciais na Polônia — abriu uma investigação formal para analisar se a Apple realmente contorna as regras do ATT.

Esse sistema foi criado justamente para que apps de terceiros peçam permissão ao usuário antes de rastrear atividades no iPhone ou iPad. O modelo funciona assim: o iOS atribui um identificador anônimo para cada aparelho.

Esse código não revela informações pessoais, mas serve para que desenvolvedores solicitem ao usuário a liberação do rastreamento. Só que, de acordo com o UOKiK, a Apple não faz essa solicitação quando o assunto envolve seus próprios aplicativos e plataformas.

O argumento é direto, se os serviços da Apple, como a App Store, ficam fora das exigências do ATT, a empresa pode usar esse identificador anônimo para montar anúncios personalizados sem precisar pedir aprovação.

Para Tomasz Chrostny, presidente do UOKiK, isso cria uma vantagem competitiva da Apple frente a desenvolvedores independentes.

A Apple não gostou e rebateu dizendo que o setor de rastreamento de dados seria o responsável por empurrar essa crise regulatória.

A empresa até insinuou que, se a pressão da Europa continuar, pode acabar removendo o ATT no bloco inteiro — algo que afetaria usuários preocupados com privacidade.

A companhia também já afirmou em outras oportunidades que não usa o identificador anônimo para segmentar anúncios dentro de seus próprios apps. Mesmo assim, os poloneses não parecem convencidos.

Além deles, autoridades da Alemanha, da Itália e da Romênia também abriram suas próprias investigações para avaliar o uso dessas informações pela gigante norte-americana.

Esse caso chega em um momento em que a Apple já atua na União Europeia sob o rótulo de "gatekeeper", definido pelo Digital Market Act (DMA). Esse rótulo indica que a empresa tem poder o suficiente para influenciar a concorrência no mercado digital.

Por causa disso, o bloco europeu obrigou a Apple a liberar lojas de apps alternativas nos seus dispositivos e ajustar as taxas cobradas de desenvolvedores que aderiram ao programa específico criado para as novas regras.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.