A oferta de memória RAM virou um problema real para a indústria de notebooks, e isso já começa a mudar o que chega às lojas.
Um novo relatório aponta que a falta de DRAM está em um nível preocupante, levando fabricantes a ajustar preços e configurações para não perder margem e manter estoques ativos.
Nesse cenário, modelos com 8 GB de RAM tendem a se tornar cada vez mais comuns, mesmo em categorias intermediárias. Empresas do setor já trabalham com a ideia de escassez prolongada e passaram a recalcular custos de produção.
A Dell, por exemplo, vem aplicando aumentos que chegam a centenas de dólares em alguns modelos. A avaliação é que versões com mais memória estão ficando caras a ponto de afastar parte do público.
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Dados da TrendForce indicam que o segmento intermediário, hoje o mais representativo do mercado, deve adotar com mais frequência a configuração de 8 GB de RAM como forma de manter a cadeia de suprimentos funcionando sem grandes rupturas.
O relatório não trata apenas de celulares. No caso dos notebooks, a TrendForce afirma que as fabricantes já começaram a migrar suas linhas para modelos com 8 GB, levando em conta ajustes de longo prazo.

A previsão é de oscilações de preços mais intensas a partir do segundo trimestre de 2026. Algumas marcas, como a Lenovo, conseguiram segurar aumentos mais amplos neste ano por conta de estoques próprios de DRAM, mas esse fôlego parece estar perto do fim, forçando reajustes mais evidentes.
Em 2025, a Microsoft definiu 16 GB de RAM como configuração mínima para PCs certificados com Copilot. Mesmo assim, o novo cenário indica uma possível mudança de rumo.
Desenvolvedores podem ser pressionados a trabalhar com uso de memória mais enxuto, já que versões com maior capacidade tendem a ficar menos acessíveis.
Hoje, a própria Dell já cobra cerca de US$ 550 para trocar 16 GB por 32 GB de memória LPDDR5X, valor que aproxima as políticas de upgrade das praticadas pela Apple. O que se vê é um mercado de PCs diante de decisões difíceis.
Com a pressão da cadeia de suprimentos e custos em alta, o setor pode ter que rever padrões técnicos e estratégias comerciais ao longo de 2026 para continuar atendendo à demanda sem comprometer a viabilidade dos produtos.








