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Líderes de estúdios da Xbox não gostam do Game Pass e dizem que serviço desvaloriza jogos

Game Pass pode mudar sua estratégia de lançamentos de jogos.
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Depois da onda de demissões na divisão Xbox, que deve cortar cerca de 3.200 funcionários até julho de 2027, além de afetar parceiros e empresas terceirizadas, desenvolvedores e analistas passaram a discutir os motivos que levaram a área a esse momento.

Entre os temas mais citados está o Game Pass, principalmente após um relatório indicar que a base de assinantes caiu de 34 milhões para 30 milhões.

O CEO da Moon Studios, Thomas Mahler, por exemplo, acredita que o serviço nunca conseguiu reunir uma sequência de grandes lançamentos capaz de sustentar um modelo de assinatura.

Game Pass pode perder lançamentos no dia da estreia

Agora, a principal dúvida é sobre o futuro do Game Pass. No episódio 313 do podcast Triple Click, o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, comentou que não acredita no fim do serviço, mas vê como provável uma mudança importante na estratégia da Microsoft.

Na avaliação dele, a empresa deve reduzir a quantidade de jogos de grande porte lançados no Game Pass no mesmo dia em que chegam às lojas. Segundo Schreier, esse modelo deixou de fazer sentido do ponto de vista financeiro.

Ele lembra que isso já começou a acontecer com Call of Duty e considera possível que outros títulos passem pelo mesmo caminho. Schreier usou South of Midnight como exemplo.

O jogo custa US$ 40 (cerca de R$ 222 na cotação atual), mas ficou disponível para assinantes do Game Pass, cujo plano custa bem menos por mês. Na visão dele, isso faz com que muita gente prefira assinar o serviço em vez de comprar o jogo individualmente.

"Em algum momento eles vão acabar com os lançamentos no primeiro dia, porque isso não faz mais sentido. South of Midnight custa US$ 40, mas quem assina o Game Pass podia jogar pagando apenas a mensalidade. Muita gente pensa: por que gastar US$ 40 se posso jogar pelo Game Pass?", comentou Schreier.

Executivos de estúdios enxergam perda de valor nos jogos

Durante o podcast, Schreier também disse que vários líderes de estúdios pertencentes à Xbox não veem o Game Pass com bons olhos.

Segundo ele, essas pessoas acreditam que o serviço reduziu o valor percebido de seus jogos e também afetou a forma como os consumidores enxergam o preço dos games em geral.

"Há muitos líderes de estúdios da Xbox que detestam o Game Pass. Eles acreditam que o serviço destruiu o valor dos jogos, reduziu a percepção de valor da indústria como um todo e acabou prejudicando o mercado justamente por desvalorizar os games", disse Schreier.

O jornalista ainda comparou o Game Pass com a Netflix. Na visão dele, existe uma diferença importante: filmes e séries lançados na plataforma normalmente não são vendidos separadamente, enquanto jogos continuam disponíveis para compra individual.

Estratégia da Xbox pode mudar

O Game Pass ocupa um papel central na estratégia da Xbox há quase dez anos. Segundo a matéria, o momento atual da divisão, citado em um memorando recente da CEO da Xbox, Asha Sharma, reforça os desafios enfrentados pelo negócio.

Phil Spencer foi um dos principais defensores do Game Pass desde o início do projeto. Já Schreier acredita que a nova liderança pode seguir outro caminho.

Na avaliação dele, grandes lançamentos, como The Elder Scrolls VI, podem deixar de entrar no Game Pass no dia da estreia e passar a integrar o catálogo apenas depois que o período de maior volume de vendas terminar.

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