A Keen Games apostou o futuro do estúdio em Enshrouded. Segundo o diretor criativo Antony Christoulakis em entrevista ao Wccftech, o sucesso do jogo superou as expectativas da equipe.
O título já passou de cinco milhões de jogadores e é, com folga, o maior sucesso comercial da desenvolvedora, mesmo antes da versão 1.0.
Christoulakis disse que a equipe esperava um bom resultado. Como o futuro do estúdio dependia do projeto, havia um esforço para entregar o melhor jogo possível.
Pela primeira vez, a Keen Games pôde publicar um jogo por conta própria e ter controle total sobre o desenvolvimento.
O resultado disso foi algo alinhado ao gosto da equipe. A expectativa era que outros jogadores também gostassem dessa abordagem para o gênero de sobrevivência.
Enshrouded se tornou o principal jogo da Keen Games
O estúdio independente alemão ainda não está entre os nomes mais conhecidos do setor, mas seus jogos melhoraram muito desde Sacred 3, lançado em 2014.
Três anos depois, a empresa lançou Portal Knights, um RPG de ação cooperativo com construção livre e modo multijogador. O título vendeu milhões de cópias.
Até agora, porém, Enshrouded é o principal trabalho da desenvolvedora. A equipe o descreveu como uma mistura de The Legend of Zelda e Valheim.
O jogo chegou ao acesso antecipado do Steam no início de 2024 e vendeu um milhão de cópias em quatro dias. Em agosto daquele ano, já havia superado três milhões.
Após quase três anos em acesso antecipado, a versão 1.0 para PC e PlayStation 5 tinha lançamento previsto para 15 de outubro de 2026.
A edição para Xbox Series S e Series X foi adiada para a primavera do hemisfério norte de 2027, entre março e junho.
Diretor vê espaço para outros jogos de sobrevivência
O gênero passa por um período de muitos lançamentos. Valheim e RuneScape: Dragonwilds também saíram do acesso antecipado, enquanto Dune: Awakening recebeu uma grande atualização.
Para Christoulakis, há espaço para todos. Embora disputem a atenção do público, jogos de sobrevivência não precisam manter os jogadores conectados o tempo todo, como ocorre com os gratuitos.
Na avaliação dele, um bom jogo pode atrair o público de volta com atualizações regulares. Essa também é sua experiência ao jogar títulos de sobrevivência com amigos.
O diretor reconhece que o gênero recebe mais atenção e tem cada vez mais lançamentos. Por isso, considera possível que a concorrência fique maior em algum momento.
Por enquanto, ele avalia que os jogos citados têm experiências diferentes e podem coexistir. Os fãs talvez não comprem todos de uma vez, mas podem voltar a eles com o tempo.
Opiniões dos jogadores mudaram o sistema de missões
Segundo Christoulakis, a comunidade enviou muitas sugestões úteis durante o acesso antecipado. Boa parte delas já foi atendida e estava de acordo com os planos da equipe.
Outras apontaram problemas que os desenvolvedores não haviam previsto. Um exemplo foi o avanço das missões em grupo.
Como nem todos participam de todas as sessões, alguns jogadores perdiam missões concluídas pelos amigos durante sua ausência.
A equipe via o progresso compartilhado como algo positivo e não esperava essa dificuldade. Após as reclamações, adicionou recursos para repetir missões já concluídas pelo grupo.
Com isso, quem perdeu uma sessão pode fazer essas missões e receber as recompensas. O diretor diz que trabalhar perto da comunidade sempre fez parte dos planos. Ele também considera positiva e prestativa a participação dos jogadores.
Versão 1.0 amplia o mapa e muda o combate dos magos
A nova região fica ao norte do mapa, em uma área antes inacessível. Os jogadores já podiam ver uma prévia das ilhas flutuantes no céu. O local dá continuidade à progressão depois de Veilwater Basin e foi pensado para a etapa final do jogo.
As bases existentes não serão afetadas. Assim, os jogadores poderão continuar com os arquivos salvos, sem precisar começar uma nova partida.
No combate, uma das prioridades da versão 1.0 são os magos. Christoulakis explica que atualizações anteriores já haviam melhorado as lutas, mas essa classe ainda precisava de ajustes.
As novidades incluem ataques pesados, ataques durante saltos e vários feitiços. Entre eles estão opções para controlar grupos de inimigos, atingir áreas e invocar esqueletos aliados.
Também haverá novas habilidades e mais níveis de progressão. Todas as classes terão novas armas e armaduras para encontrar.
Além dos inimigos da nova região, a equipe adicionou novos tipos a todas as facções existentes. A proposta é aumentar a variedade e o desafio ao longo de todo o jogo.
Sparkworks permite criar bases com mais interação
Outra novidade é o Sparkworks, um sistema de lógica para adicionar interações às construções. O diretor o compara à redstone de Minecraft, mas mostra as diferenças.
Com o recurso, os jogadores poderão criar mundos com atividades e mecânicas próprias. Essas criações poderão ser compartilhadas pela plataforma Adventure Sharing.
A versão 1.0 também terá melhorias para facilitar o uso de recursos do jogo. Algumas ainda não haviam sido detalhadas, incluindo uma novidade no sistema de construção.
Enshrouded terá conteúdo gratuito e pago após a versão 1.0
A Keen Games pretende continuar o desenvolvimento por vários anos, com toda a equipe dedicada a Enshrouded. A versão 1.0 não será o fim desse trabalho.
O plano inclui conteúdo gratuito e pago para sustentar o desenvolvimento. Segundo Christoulakis, as expansões pagas deverão ter conteúdo que justifique o preço.
O estúdio não pretende transformar Enshrouded em um jogo gratuito nem adotar um modelo em que pagamentos deem vantagens para vencer, algo típico de jogos PayToWin.
PS5 terá opção de 60 fps e servidores dedicados
A versão para PlayStation 5 terá suporte a 60 FPS tanto no modelo padrão quanto no PS5 Pro. O Pro contará com melhorias na forma de exibir os gráficos.
No PS5 comum, haverá também um modo de qualidade com recursos gráficos equivalentes aos do Pro, mas limitado a 30 FPS.
Christoulakis prefere o modo de desempenho no console padrão. Na avaliação dele, a opção mantém 60 FPS e possui um visual próximo ao da versão para PS5 Pro.
O jogo terá suporte a servidores dedicados no PS5. Já o recurso para jogar entre plataformas diferentes ficará para uma atualização futura.
Segundo o diretor, faltou tempo para incluir essa função na estreia. A equipe se dedicou bastante para melhorar o desempenho no PC e no PS5, com ganhos também na qualidade visual.
Parte dessas mudanças foram detalhadas em um vídeo no YouTube chamado 1.0 Performance Improvements. O jogo terá suporte a vibração, gatilhos adaptáveis e movimentos para ajustar a mira e controlar o voo com o planador no controle do PS5.
Também será possível usar o painel de toque para percorrer o mapa e ouvir sons pelo controle. Todas essas opções poderão ser personalizadas.
Christoulakis, porém, não soube responder se os mesmos recursos estarão disponíveis no PC com o DualSense.
Versão para Xbox chegará em 2027
O diretor explica que a Keen Games ainda tem uma equipe de tamanho moderado. Por isso, decidiu levar Enshrouded a novas plataformas aos poucos.
Cada plataforma aumenta o trabalho necessário nas atualizações seguintes. Concentrar os esforços no PC e no PS5 possibilitou fazer mais ajustes nessas versões.
Christoulakis lamenta a espera dos jogadores de Xbox e disse que a equipe pretende entregar uma versão bem ajustada em 2027. O estúdio também quer levar o jogo a mais plataformas.
DLSS e motor próprio estão entre os planos técnicos
A Keen Games ainda não tem planos para adicionar DLSS Frame Generation ou Ray Reconstruction. Ainda assim, o suporte a essas tecnologias pode ser considerado no futuro.
Também não há planos definidos para o DLSS 5. Segundo Christoulakis, a prioridade até então era a versão 1.0 para PC e a edição para PS5. A equipe, porém, continua em busca de tecnologias que melhorem os gráficos do jogo.
A versão 1.0 terá uma melhoria no sistema que exibe o mundo formado por pequenos blocos, conhecidos como voxels. Chamado Brick Renderer, ele mostra muitos detalhes à distância.
Enshrouded usa um motor próprio, e a desenvolvedora pretende continuar adicionando recursos para melhorar o jogo.
Keen Games proíbe uso interno de IA no desenvolvimento
Por enquanto, o estúdio proibiu o uso de inteligência artificial no desenvolvimento e na criação de materiais do jogo.
Christoulakis cita as dúvidas ainda sem solução sobre direitos autorais como motivo para a decisão, além das outras questões e preocupações ligadas ao tema. O diretor disse que a equipe não é contra a tecnologia por princípio.
Ainda assim, valoriza o trabalho criativo dos profissionais para dar características próprias a Enshrouded. Para o estúdio, preservar esse trabalho continuará sendo mais importante do que obter um pouco mais de lucro.








