Ex-executivo da Sony defende consórcio de formato único para padronizar jogos

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Shawn Layden deixou o cargo de presidente da Sony Interactive Entertainment Worldwide Studios em 2019, após 32 anos de atuação na empresa.

A divisão era responsável pelo desenvolvimento dos jogos exclusivos do PlayStation. Desde a saída, o ex-executivo passou a comentar com frequência temas ligados ao mercado de games.

No início deste ano, Layden disse que o PlayStation 6, próximo console da Sony, dificilmente será lançado sem suporte a mídia física.

Segundo ele, a venda de jogos em disco ainda tem grande peso para a empresa. Dias atrás, Layden participou de uma entrevista em vídeo com os youtubers Naomi Kyle e Pause for Thought.

Durante a conversa, que durou cerca de 47 minutos, ele comentou que a base total de usuários de consoles não mudou muito ao longo das últimas gerações.

Para tentar ampliar esse mercado, sugeriu a criação de um consórcio, nos moldes dos usados no passado para VHS, DVD e Blu-ray, com o objetivo de estabelecer um formato único de jogos que pudesse ser licenciado para diferentes fabricantes.

Layden explicou que o setor de games movimenta cerca de 250 bilhões de dólares e soma centenas de milhões de usuários. Esse número, segundo ele, inclui pessoas que jogam títulos simples em celulares, como Wordle ou Candy Crush.

Quando o foco são apenas consoles dedicados, o volume total de unidades vendidas por geração costuma ficar em torno de 250 milhões.

De acordo com o ex-presidente da divisão de games da Sony, ao observar gerações passadas com consoles como PlayStation 1, Sega Saturn e Nintendo 64, o total se manteve próximo desse patamar.

A única exceção ocorreu na geração do Wii, quando as vendas chegaram perto de 300 milhões. Naquele período, o console atraiu um público fora do perfil tradicional de jogadores, motivado por produtos como o Wii Fit.

Para Layden, esse cenário foi pontual, e o mercado voltou a ficar estagnado depois disso. Ele afirmou que, para ultrapassar esse limite, seria necessário mudar o modelo atual. Como exemplo, citou a disputa entre Betamax e VHS.

Segundo Layden, o Betamax perdeu espaço porque a Sony manteve o formato fechado, enquanto o VHS foi licenciado para vários fabricantes. Isso fez com que o mercado se unificasse em torno de um único padrão, facilitando o acesso do consumidor.

Layden lembrou que, em formatos mais recentes, como CD, DVD e Blu-ray, a indústria adotou um caminho diferente. Empresas como Sony e Philips criaram consórcios, registraram as patentes e licenciaram a tecnologia para outros fabricantes.

Assim, a concorrência passou a existir nos aparelhos, não no formato em si, com diferenças de preço e recursos entre marcas, mesmo com compatibilidade total.

Na visão do ex-executivo, o setor de games poderia seguir um modelo parecido, com um formato único de jogos, possivelmente baseado no PC ou em um sistema aberto, como um núcleo Linux.

Esse formato seria gerenciado por um consórcio, com programas de licenciamento que possibilitariam a entrada de vários fabricantes.

Para Layden, esse caminho ajudaria a ampliar o alcance dos jogos, tornando-os tão comuns quanto eletrodomésticos presentes em qualquer casa. A análise de Layden vai ao encontro do discurso adotado pela Microsoft nos últimos anos.

A empresa tem buscado atingir um público muito maior, formado por pessoas que poderiam se interessar por jogos, mas não pretendem comprar um console dedicado. Essa ideia também se aproxima de um ecossistema único de plataforma, com forte base no PC.

Para a Microsoft, esse movimento seria mais simples, já que a empresa fala abertamente sobre o interesse em estar presente em qualquer dispositivo usado pelo jogador.

A própria Sony vem levando seus jogos para o PC e, em alguns casos, para consoles concorrentes, como ocorreu com Helldivers 2.

Entre as grandes empresas do setor, a Nintendo segue como a única que desenvolve jogos apenas para seu próprio hardware, mantendo essa estratégia sem sinais de mudança no curto prazo.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.