Tales of Symphonia: Definitive Edition terá uma versão beta aberta neste domingo, 11 de outubro. O mod para a edição de Steam traz melhorias gráficas, combates atualizados e suporte a 60 FPS.
Criado por um grupo de modders, o projeto busca modernizar um dos jogos mais bem avaliados da série Tales, da Bandai Namco. A proposta também inclui recuperar conteúdo e corrigir falhas acumuladas nas diferentes versões.
Tales of Symphonia chegou ao GameCube em 2003, com lançamento no Ocidente no fim de 2004. Foi o primeiro título da série com gráficos 3D e, depois, recebeu versões para outras plataformas.
Essas adaptações adicionaram conteúdo, mas pouco fizeram para atualizar a jogabilidade. O combate ficou datado com o passar do tempo e os jogos seguintes da série receberam sistemas mais modernos.
Entre eles estão Tales of Vesperia e Tales of the Abyss, que também seria uma boa escolha para uma futura remasterização da Bandai Namco.
Após a decepcionante versão de PC lançada há alguns anos, o mod reúne mudanças que podem renovar o interesse pelo clássico.
Mod traz 60 FPS, melhorias visuais e mudanças nos combates
A equipe apresentou o projeto no subreddit r/tales. Após muitas horas de trabalho, os responsáveis consideraram que o mod estava pronto para testes públicos.
O objetivo é criar a melhor versão de Tales of Symphonia, com todo o conteúdo já disponível, os 60 FPS do GameCube e sem os erros introduzidos nas várias adaptações.
A lista de melhorias é extensa. Falas e textos ausentes foram recuperados, e as texturas receberam ajustes para restaurar o visual com aparência de desenho da edição de GameCube.
Esse estilo, conhecido como cel-shading, havia se perdido a partir da versão de PlayStation 3. O mod também inclui uma opção para acelerar cenas da história e ajustes que tornam a jogabilidade mais prática.
Além dos 60 FPS, as mudanças no combate estão entre os pontos de maior interesse. Uma delas é o Free Run, recurso de movimentação livre que deve reduzir a rigidez das batalhas.
Essa limitação acaba deixando os confrontos menos divertidos hoje em dia. Com a movimentação livre, a proposta é aproximar a experiência dos sistemas usados em outros jogos da série.
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Outra mudança é a remoção da fila de magias, que impedia o uso de feitiços de alto nível. Já o Artes Ball dobra a quantidade de atalhos para Artes, as técnicas usadas pelos personagens.
Juntas, essas alterações devem ampliar as possibilidades de combinar golpes. O mod também adiciona a ativação manual de Overlimits, dando ao jogador mais controle sobre os personagens nas batalhas.
Vídeo mostra como funciona a movimentação livre
O youtuber tetsuo9999 já publicou uma demonstração dos recursos, antes da abertura dos testes em 11 de outubro. Apesar do receio de que o Free Run tornasse o jogo fácil demais, o vídeo não passa essa impressão.
A velocidade de movimentação parece mais próxima da usada em Tales of Vesperia. Em Tales of the Abyss, o recurso era eficiente a ponto de ajudar a evitar completamente a maioria das magias. A demonstração do mod indica uma implementação menos ágil.
Inteligência artificial ajudou nos ajustes para 60 FPS
Com o surgimento recente de projetos de modificação de jogos que impressionam pelo trabalho realizado, algumas pessoas suspeitaram do uso de inteligência artificial no desenvolvimento do mod.
A equipe confirmou esse uso, mas apenas para ajustar o funcionamento a 60 FPS. Fazer essa parte manualmente levaria muito tempo.
Segundo os desenvolvedores, o sistema do jogo foi criado para rodar a 60 FPS. Na adaptação para PlayStation 2, várias operações foram duplicadas para reduzir a taxa a 30 FPS.
Isso incluiu dobrar comandos de desenho na tela, multiplicar diversos valores por dois e subtrair dois por quadro em cálculos que antes subtraíam um.
Na descrição da equipe, a adaptação passou a repetir operações a cada quadro, como se executasse o funcionamento de 60 FPS duas vezes, em vez de ter sido ajustada de fato para 30 FPS.
O principal uso de IA envolveu um servidor IDA MCP para ajudar a localizar essas pequenas duplicações no código. Elas eram removidas quando a equipe identificava algum comportamento incorreto.
Os desenvolvedores também explicaram que a IA não substituiu as horas de revisão detalhada do jogo. Após ativar os 60 FPS, foi preciso procurar e corrigir cada problema encontrado.
Mais de 100 erros causados pela mudança para 60 FPS foram corrigidos, além de vários outros que existiam desde Tales of Symphonia Chronicles.
Para a equipe, o projeto representa a disposição de dedicar tempo ao jogo, sem a intenção de apresentar o trabalho como algo que só seus integrantes seriam capazes de fazer.
A resistência à IA em trabalhos criativos tem justificativa. Neste caso, porém, o uso da ferramenta parece adequado: ela facilitou uma tarefa que poderia levar muito tempo ou até ser inviável.
Com isso, o mod torna mais atraente revisitar um jogo que agradou no lançamento, mas cujo combate bastante datado dificultava uma nova partida completa nos últimos anos.








