A Apple entrou com um processo na Justiça dos Estados Unidos contra a OpenAI, acusando a empresa de usar informações confidenciais relacionadas a produtos de inteligência artificial que ainda não foram lançados.
A ação foi registrada no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia. Segundo a Apple, surgiram provas de que pessoas contratadas pela OpenAI levaram informações sigilosas sobre tecnologias, processos e produtos em desenvolvimento dentro da empresa.
O processo cita Tang Tan, ex-vice-presidente de Design da Apple, e Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos, entre os acusados.
A startup io, criada por Jony Ive e comprada pela OpenAI no ano passado por US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 36 bilhões na cotação atual), também aparece como ré.
🚨OPENAI ALLEGEDLY STOLE APPLE’S ENTIRE PLAYBOOK
“Hundreds of billions of dollars, decades of work”
Hardware Engineering
- circuit designs, component architecture, power management
- unreleased products guarded by internal codenames
- AI/ML integration for hardware
- EMI… pic.twitter.com/YIFOHw52JN— NIK (@ns123abc) July 11, 2026
Apple lista uma série de acusações
De acordo com a ação, Tang Tan teria usado o conhecimento que possuía sobre futuros produtos de IA da Apple durante entrevistas com candidatos vindos da empresa.
A Apple diz que ele orientava essas pessoas a levarem componentes físicos e amostras de hardware para encontros descritos como sessões de "show and tell".
Como exemplo desse comportamento, a empresa informa que um candidato começou a fazer capturas de tela e baixar arquivos de um projeto altamente confidencial poucas horas antes de uma entrevista com Tang Tan.
Ainda segundo a Apple, durante a conversa o candidato foi incentivado a levar mais informações sobre o projeto. A empresa também diz ter identificado um padrão entre funcionários que deixaram a Apple para trabalhar na OpenAI.
- Leia também: OpenAI pode ter concluído modelo de IA com 10 trilhões de parâmetros próximo do "limiar da AGI"
Segundo o processo, alguns deles adotaram medidas para contornar os sistemas internos criados para proteger informações confidenciais. Outra acusação envolve Chang Liu.
A Apple diz que o ex-engenheiro explorou uma falha de segurança para baixar mais de mil páginas de documentos internos depois de deixar a empresa. Os arquivos incluiriam informações sobre placas de circuito e outros detalhes de engenharia.
Além disso, a Apple acusa a OpenAI de induzir um parceiro de confiança a fazer uma demonstração de uma técnica proprietária de acabamento metálico. Para reforçar a ação, a empresa informa que a OpenAI contratou mais de 400 ex-funcionários da Apple.
Apple pede mudanças em produtos da OpenAI
No processo, a Apple pede que a Justiça determine a destruição de qualquer material proprietário que esteja em posse da OpenAI, além de indenização pelos supostos danos causados.
A empresa também solicita que futuros produtos de hardware da OpenAI sejam redesenhados para evitar qualquer possível violação de tecnologias da Apple.
Nos últimos meses, a OpenAI ampliou a contratação de profissionais da Apple enquanto trabalha em novos dispositivos voltados para inteligência artificial.
Em 2025, a empresa contratou cerca de 40 engenheiros da fabricante do iPhone, entre eles Matt Theobald, especialista em design de manufatura, e Cyrus Daniel Irani, responsável pela área de design de interface humana.
Como resposta à saída de profissionais, a Apple aumentou os bônus anuais de integrantes de sua principal equipe de design.
Os valores passaram para entre US$ 200 mil e US$ 400 mil por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 1,1 milhão a R$ 2,2 milhões, dependendo do desempenho das ações da companhia. Ao mesmo tempo, a OpenAI segue trabalhando em diferentes dispositivos de IA.
Entre eles estão fones de ouvido com IA, identificados internamente pelo codinome "Sweetpea" e que podem chegar ao mercado com a marca "Dime", além de um aparelho para consumidores com formato semelhante ao de uma caneta, conhecido internamente como "Gumdrop".








