A NVIDIA, conhecida por liderar o mercado de GPUs, também quer assumir a liderança no setor de CPUs com a plataforma Vera ainda este ano.
Demanda pela Vera pode colocar a NVIDIA à frente de AMD e Intel
A NVIDIA anunciou recentemente que suas CPUs Vera já entraram em produção em larga escala. Os primeiros racks com a nova CPU começaram a ser enviados para empresas de IA como OpenAI, SpaceX, Anthropic e Oracle.
A Vera faz parte do ecossistema Extreme Co-Design usado na plataforma Rubin, mas também marca a entrada da NVIDIA no mercado de CPUs standalone, vendidas separadamente.
A CPU baseada em ARM usa 88 núcleos Olympus personalizados e chega com melhorias importantes incluindo até 50% mais desempenho, o dobro de eficiência energética e quatro vezes mais densidade por rack em comparação com CPUs x86 tradicionais. O chip foi desenvolvido para tarefas de IA agentic e inferência.
Principais detalhes da Vera
- Primeira CPU personalizada da NVIDIA voltada para IA agentic
- Foco em orquestração, chamadas de ferramentas, cargas de RL, análise de dados e gerenciamento de contexto longo
- Voltada para laboratórios de IA, provedores de nuvem e empresas com operações de IA em grande escala
- 88 núcleos Olympus personalizados
- Largura de banda de memória de 1,2 TB/s
- Até 50% mais desempenho por núcleo sob carga total

Segundo a NVIDIA, a Vera abre um novo mercado estimado em US$ 200 bilhões, cerca de R$ 1,1 trilhão na cotação atual. A empresa calcula uma receita próxima de US$ 20 bilhões apenas com CPUs em 2026, o equivalente a cerca de R$ 113 bilhões.
A maior parte desse valor deve vir da Vera. Com essa demanda, a NVIDIA acredita que pode ultrapassar AMD e Intel no mercado de CPUs, impulsionada pelo crescimento das cargas de IA agentic.
"Construída com núcleos ARM personalizados e desenvolvida em conjunto com GPUs Rubin e NVLink, a Vera entrega até 1,5x mais desempenho por núcleo, 2x mais desempenho por watt e 4x mais densidade por rack em comparação com alternativas baseadas em x86.
A Vera CPU abre um novo mercado de US$ 200 bilhões para a NVIDIA, um setor em que nunca atuamos antes, e todos os principais hyperscalers e fabricantes de sistemas estão trabalhando conosco para implementar a plataforma. Temos visibilidade de quase US$ 20 bilhões em receita total de CPUs este ano, o que nos coloca no caminho para liderar o mercado global de CPUs." — Colette Kress, CFO da NVIDIA
O ponto mais importante é que os US$ 20 bilhões citados pela NVIDIA não incluem todas as aplicações da Vera. O valor considera apenas a CPU standalone.
Vera será usada em diferentes plataformas
A Vera terá vários usos dentro do ecossistema da NVIDIA. Jensen Huang citou quatro aplicações principais. A primeira é a Vera Rubin, usada como CPU host dos racks Rubin.
Cada rack conecta dois chips Vera a quatro GPUs. A NVIDIA também possui racks NVL4 de entrada, equipados com CPUs Intel Xeon. A empresa pretende enviar milhões de GPUs Rubin, que já estão em produção total.
As primeiras entregas estão previstas para o terceiro trimestre de 2026. Também haverá versões da Vera com CX9 para armazenamento e outra voltada para segurança.
A quarta aplicação é justamente a CPU standalone, responsável pelos US$ 20 bilhões projetados pela empresa. Segundo a NVIDIA, esse número ultrapassa as receitas previstas para as linhas EPYC, da AMD, e Xeon, da Intel, neste ano.

Limitações de produção e memória preocupam a NVIDIA
A NVIDIA também reconhece alguns obstáculos para a Vera. Um deles é a capacidade de produção. Jensen Huang comentou que a empresa deve operar com limitação de oferta durante todo o ciclo da Vera Rubin. Outro ponto é a memória.
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A Vera depende bastante de LPDDR5X, um tipo de memória que está com alta demanda por causa do crescimento do mercado de IA.
A NVIDIA diz que continua investindo para reduzir essas limitações, mas a procura por memória segue aumentando.
"Os US$ 20 bilhões são apenas para CPUs standalone. E lembre-se, a Vera é usada de quatro formas diferentes. A primeira é a Vera Rubin. Vamos vender milhões de Rubins, e cada duas delas ficam conectadas a uma Vera.
O segundo caso é a Vera standalone CPU. O terceiro é a Vera com CX9 e pilha de software para armazenamento. Depois vem a Vera com CX9 para segurança, isolamento computacional e computação confidencial.
Minha percepção é que teremos limitação de oferta durante toda a vida da Vera Rubin.
A Vera foi criada para ser uma CPU agentic. CPUs antigas foram feitas com muitos núcleos porque as empresas alugavam núcleos. Agentes não alugam núcleos. Eles só querem que o trabalho seja executado rapidamente." — Jensen Huang, CEO da NVIDIA
Jensen Huang chama Groq 3 LPX de produto de nicho
Jensen Huang também comentou sobre o Groq 3 LPX, um acelerador de inferência com grande quantidade de SRAM voltado para baixa latência e alta taxa de tokens.

Segundo ele, o produto ainda atende um mercado muito específico. Hoje, os chamados "tokens premium" representam menos de 20% do total de tokens gerados.
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A NVIDIA trabalha considerando um cenário futuro em que esse volume aumente, mas Huang acredita que soluções LPX continuarão sendo produtos de nicho por bastante tempo.
"O LPX foi criado para baixa latência e alta taxa de tokens. Mas sua capacidade de throughput é baixa. A capacidade de modelos também é menor. O processamento de contexto, como em programação e cargas agentic, também é mais limitado.
O uso do LPX não é amplo. Ele faz sentido para empresas com vários tipos de serviços de tokens e necessidades muito específicas de alta taxa de geração.
Espero que o LPX e outros aceleradores focados em SRAM e geração de tokens continuem sendo produtos de nicho por um bom tempo." — Jensen Huang, CEO da NVIDIA
Com a Vera já em produção, a NVIDIA amplia sua presença além das GPUs e entra de vez no mercado de CPUs para IA. A empresa aposta em desempenho, eficiência energética e integração com a plataforma Rubin para crescer em um setor dominado há anos por AMD e Intel.
