Em meio a mais uma série de demissões e fechamentos de estúdios em empresas de desenvolvimento de jogos de todos os portes, a consultoria de análise de mercado Newzoo informou que a indústria de games alcançou um novo recorde de receita em 2025.
O setor movimentou US$ 201,6 bilhões, cerca de R$ 1,1 trilhão na cotação atual, ultrapassando pela primeira vez a marca de US$ 200 bilhões.
A receita global cresceu 9,1% em relação ao ano anterior, com PC e dispositivos móveis concentrando a maior parte desse avanço, enquanto os consoles tiveram crescimento mais moderado.
O segmento de PC registrou o melhor desempenho da série histórica da Newzoo, alcançando US$ 43,6 bilhões (aproximadamente R$ 240 bilhões), alta de 12%.
Segundo a empresa, o crescimento foi impulsionado por uma ampla variedade de jogos premium, e não por um único grande sucesso.
O mercado mobile continuou sendo o maior da indústria, com US$ 113,3 bilhões (cerca de R$ 624 bilhões), avançando 10,7%. A Newzoo informa que a monetização aumentou mesmo com a queda no número de downloads.
Já os consoles geraram US$ 44,7 bilhões (aproximadamente R$ 246 bilhões), crescimento de 2,8%, apoiado pela venda de jogos completos e pelos serviços de assinatura.
Por outro lado, o desempenho mais fraco de jogos como serviço e a redução da receita do ecossistema Nintendo limitaram esse avanço.

Os analistas observam que os mercados de PC e console registraram aumento nos gastos com jogos premium, mas houve diferenças importantes nas microtransações.
No PC, a receita desse segmento cresceu 9,1%, impulsionada principalmente por Counter-Strike 2 e Roblox. Nos consoles, houve queda de 4,6%, influenciada pelo menor engajamento em Fortnite e Call of Duty.
As assinaturas de consoles cresceram 10,2% em receita, em parte por conta dos reajustes de preço do PlayStation Plus e do Xbox Game Pass, além da migração de usuários para planos mais caros.

Todas as regiões do mundo registraram crescimento em 2025, mas a América do Norte ficou abaixo da média global, com avanço de 5,7%, tornando-se a região de menor crescimento entre os principais mercados analisados.
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A Ásia-Pacífico manteve a liderança, concentrando 47% da receita mundial e crescendo 9,9%. A Europa avançou 10,7%, enquanto Oriente Médio e África registraram a maior taxa de crescimento, com 15%. A América Latina também superou a média global, alcançando 9,6%.

Para o período entre 2026 e 2028, a Newzoo projeta uma taxa média de crescimento anual de 5,1%, com o mercado chegando a US$ 234,4 bilhões, cerca de R$ 1,29 trilhão, até 2028.
O principal fator de expansão no curto prazo é Grand Theft Auto VI, da Rockstar, tratado pela consultoria como o maior impulsionador de demanda para consoles e, possivelmente, para PC em um segundo momento.
Ao mesmo tempo, a pressão sobre os preços das memórias, ligada à expansão da infraestrutura de inteligência artificial, deve manter os custos de hardware elevados e limitar o crescimento das plataformas.

Esse cenário pode afetar principalmente a próxima geração de consoles, incluindo o PlayStation 6, da Sony, e o Xbox "Project Helix", da Microsoft. Mas por que as demissões continuam mesmo com o mercado em nível recorde?
A explicação apontada no relatório é que o crescimento da indústria não descarta os problemas de empresas que expandiram gastos acima do sustentável, contrataram além da necessidade ou estruturaram seus negócios em custos que já não conseguem manter.
O setor de games continua crescendo, mas a pressão está concentrada em áreas que ficaram grandes demais, lentas demais ou caras demais para o momento atual da indústria.
Em outras palavras, o mercado não está encolhendo, mas se tornou mais competitivo e menos tolerante com empresas que não conseguem transformar grandes investimentos em jogos de sucesso.








