A disputa judicial entre Apple e OpenAI ganhou um novo capítulo e pode ter impacto nos planos da empresa responsável pelo ChatGPT de entrar no mercado de hardware.
Na avaliação do analista Paolo Pescatore, da PP Foresight, o processo pode atrasar esses projetos mesmo que as acusações não sejam comprovadas.
A Apple acusa a OpenAI de contratar cerca de 400 funcionários da empresa e de ter recebido amostras de hardware que fariam parte do desenvolvimento de futuros dispositivos da fabricante. Segundo a ação, um ex-funcionário teria levado arquivos confidenciais relacionados a esses produtos.
Apple acusa ex-funcionário de acessar arquivos confidenciais
A OpenAI já esteve envolvida em outros processos, incluindo uma disputa recente com a xAI, de Elon Musk. Agora, a empresa passa por mais um caso, desta vez movido pela Apple na Justiça dos Estados Unidos.
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Além do desenvolvimento de inteligência artificial, a OpenAI também trabalha para entrar no mercado de dispositivos para consumidores.
Como parte dessa estratégia, a empresa comprou a io, estúdio de design fundado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, em um acordo de US$ 6,5 bilhões, cerca de R$ 36 bilhões na cotação atual.
Segundo informações divulgadas anteriormente, Ive trabalha ao lado do CEO da OpenAI, Sam Altman, no desenvolvimento de um dispositivo sem tela e um pouco menor que o extinto Ai Pin.
De acordo com o processo, a Apple não teria problemas com a contratação de Jony Ive, já que o executivo deixou a empresa anos antes de iniciar sua parceria com Altman. O foco da ação está nas acusações envolvendo outros ex-funcionários.
Processo pode atrasar os planos da OpenAI
Em entrevista à Reuters, o analista Paolo Pescatore disse que a relação entre Apple e OpenAI vem se desgastando após as acusações de que ex-funcionários da fabricante teriam mostrado amostras de hardware à empresa de inteligência artificial.
Segundo ele, mesmo que essas acusações não sejam confirmadas, o processo pode atrasar os planos da OpenAI para lançar produtos próprios.
"A Apple vê a OpenAI passando de parceira para uma possível concorrente, enquanto a OpenAI tenta reduzir sua dependência do iPhone e criar uma relação direta com os consumidores. Mesmo que as acusações não sejam comprovadas, o processo pode atrasar os planos de hardware da OpenAI e enfraquecer ainda mais uma parceria que já se mostra cada vez mais frágil."
A OpenAI negou as acusações e declarou que "não tem interesse nos segredos comerciais de outras empresas" e que continua concentrada no desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial.
Já o professor de Direito da Universidade Stanford, Mark Lemley, explicou que contratar funcionários de concorrentes não é ilegal na Califórnia.
Porém, segundo ele, se for comprovado que esses profissionais levaram documentos confidenciais da Apple e que a OpenAI utilizou esse material, a situação passa a ser um problema para a empresa.
Diferentemente de muitos processos envolvendo inteligência artificial, que costumam tratar de software, este caso envolve hardware. Por isso, a disputa pode se tornar mais complexa à medida que novas informações forem divulgadas.








