Intel detalha avanço do processo 14A, parceria com a NVIDIA, novos chips e mudanças de preços em CPUs

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A Intel abriu o jogo sobre os próximos passos da empresa em tecnologia de chips, incluindo o andamento do processo 14A, o acordo recente com a NVIDIA e como isso deve afetar CPUs e GPUs nos próximos anos.

Tudo foi comentado pelo VP John Pitzer durante a conferência RBC Capital Markets Global Technology, Internet, Media and Telecommunications 2025, com a cobertura do site WccfTech.

Segundo John, o processo 14A está avançando rápido e já chegou à fase de definição — que é o momento em que a empresa estabelece o padrão técnico que vai guiar toda a produção.

A Intel ainda nem lançou seus primeiros produtos com 18A (previstos para chegar no fim do ano junto com a família Panther Lake), mas mesmo assim já percebe que o 14A está evoluindo de forma mais sólida do que o 18A estava na mesma fase.

Desta vez, a Intel não está trabalhando sozinha. No 14A, a empresa já conversa com parceiros e clientes externos desde o começo. Isso ajuda a ajustar o processo com antecedência e torna o pacote de ferramentas (PDK) muito mais maduro.

Além disso, o 14A vai trazer duas tecnologias importantes: Transistores GAA (Gate-All-Around) de segunda geração e um sistema de energia pela parte traseira do chip, também numa versão mais avançada.

No 18A, tudo isso era novidade. Agora, com a segunda geração dessas tecnologias, a Intel se sente mais confortável e adianta que desempenho e rendimento na produção estão bem melhores. John explicou assim:

"Estamos totalmente dedicados ao desenvolvimento do 14A e animados com o retorno que estamos recebendo dos clientes externos. A diferença para o 18A é enorme. No 18A, no início, só trabalhávamos com produtos internos. No 14A já recebemos opiniões e ajustes desde a fase de definição. Nosso PDK está mais maduro e muito mais alinhado com o padrão da indústria... Estamos bem mais avançados no 14A do que estávamos no 18A no mesmo ponto."

Parceria Intel + NVIDIA: Xeon customizado e notebooks com tile RTX integrado

A parte mais curiosa da apresentação foi a colaboração entre Intel e NVIDIA, que vai impactar tanto servidores quanto notebooks.

A Intel vai entregar para a NVIDIA um Xeon customizado, feito especificamente para trabalhar com o NVLink Fusion, o sistema de conexão de alta velocidade criado pela NVIDIA.

Isso coloca a Intel dentro de um ecossistema que até então era dominado por CPUs baseadas em Arm, como o Grace e o Vera. John comentou:

"Vamos fornecer para a NVIDIA um Xeon customizado que eles vão integrar nos sistemas deles. Eles cuidam da venda e nós ganhamos os benefícios de usar o NVLink junto com um Xeon."

Essa união pode trazer máquinas poderosas e mais variadas no mercado corporativo, criando opções além das soluções tradicionais da NVIDIA com Arm.

Aqui vem a parte mais diferente: a Intel quer colocar um tile de GPU RTX, feito pela própria NVIDIA, dentro de novos SoCs para notebooks. Funciona assim:

  • A Intel faz o SoC
  • A NVIDIA entrega o tile da RTX
  • O cliente (fabricante de notebook) compra esse tile diretamente da NVIDIA
  • A Intel monta tudo como um só chip (Halo SoC)

Esses produtos vão começar em notebooks topo de linha, mas a Intel já fala que pretende levar isso para modelos mais acessíveis no futuro. John explicou:

"Vamos criar um novo tipo de chip para PCs, começando pelos modelos mais fortes, mas com chance de chegar ao mercado mais amplo. O tile de gráficos vai ser fornecido pela NVIDIA, e nós ficamos responsáveis por integrar tudo com nossas CPUs."

Ajustes de preços: alguns chips sobem, outros caem

A Intel também reconheceu que a produção de chips menores (10nm e 7nm, como Alder Lake e Raptor Lake) está apertada. Isso deve provocar aumento de preços nessas séries.

Por outro lado, a empresa quer compensar reduzindo o valor dos processadores mais novos, como Lunar Lake e Arrow Lake, para não faltar produto no mercado. John disse:

"Estamos em um momento de oferta apertada. Vamos subir os preços dos modelos de 10nm e 7nm, mas baixar os de Lunar Lake e Arrow Lake para manter o mercado abastecido."

No Brasil, isso é algo que o consumidor já vive na prática: quando chips antigos ficam raros, o preço sobe mesmo. A boa notícia é que os modelos mais novos da Intel devem ficar mais acessíveis por aqui, o que pode ajudar quem planeja trocar de notebook ou montar um PC nos próximos anos.

A Intel também reforçou que os chips Panther Lake, com processo 18A, devem chegar só em 2026, com foco em produtos premium. Até lá, Arrow Lake e Lunar Lake serão as opções de melhor custo-benefício dentro da linha da empresa.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.